Algo está estranho no Palácio do Planalto

Compartilhe nas redes sociais.

Sinceramente sinto que algo não anda bem no Palácio do
Planalto. Pode ser intuição ou simplesmente um “achismo”. Mas tenho certeza que
existe. Há claras evidencias que a equipe ministerial montada por Dilma não
anda em sintonia com a própria presidenta. Vários exemplos confirmam isso.
Dois dias depois da posse dos novos ministros, o titular do
planejamento, Nelson Barbosa, disse publicamente que o formato de correção do
salário mínimo seria alterado. No dia seguinte teve que desmentir o que disse a
mando da presidenta. Não houve acerto prévio? O Planejamento não sintonizou com
o Palácio do Planalto?
Em seguida, em mais um exemplo, o ministro da Fazenda,
Joaquim Levy, teve que volta atrás da sua decisão sobre o reajuste na tabela do
imposto de renda. Novamente interferência direta de Dilma.
Ajustes em uma equipe nova, recém empossada devem ser
levadas em consideração. Mas as mudanças da forma que foram, anunciadas e em
menos de 24 horas desautorizadas, demonstram claramente a falta de sintonia. Parecem
mesmo que a montagem ministerial ficou bem longe da vontade de Dilma (como já
escrevi em outro post).
Chegamos ao fim do primeiro mês do 2º governo Dilma. A
presidenta aparece pouco. Se enclausurou no Palácio do Planalto. Evita a mídia.
Quando saiu de sua fortaleza, embarcou para a cordilheira dos Andes. Foi à La
Paz, prestigiar a posse de Evo Morales. A presidenta se resumiu a receber em
audiências reservadas alguns ministros. Evento público nem pensar. Por que essa
postura de Dilma?
Anteontem em Brasília, por ocasião da primeira reunião
ministerial, Dilma sentou-se ao lado dos seus 39 ministros. Valorizou as medidas
de sua equipe econômica; fortaleceu Joaquim Levy e pediu aos ministros que se
empenhem em fazer mais com menos recursos. Por fim, pediu para que cada um em
sua pasta responda aos ataques e mostre as verdades. Claro recado da presidenta
a grande parte da mídia.
Além do protocolo formal e cobranças esperadas, o que chamou
atenção no encontro foi a forma como Dilma apareceu. Visivelmente abatida,
transparecendo insatisfação e impaciência. Dilma é perfeccionista. Deve cobrar
de si próprio os deslizes e as medidas que o governo terá que tomar para
recolocar a economia do país nos trilhos.

Não me lembro de ter percebido em um governo o
distanciamento entre um presidente e sua equipe ministerial como neste. Parece
que há milhares de quilômetros entre o Palácio do Planalto e a Esplanada dos
Ministérios. A forma como o governo começou e o relacionamento da presidenta
com o seu ministério são reflexos da montagem da equipe e como a
governabilidade fez refém o governo. 

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*