Governo Dilma: as medidas tomadas evitaram a crise, mas a fatura chegou

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O novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, divulgou em entrevista coletiva as
novas medidas que visam reajustar os impostos federais. Em efeito cascata,
diversos produtos subirão de preços para se adequar à nova tributação imposta
pelo governo. A ordem da nova equipe econômica e aumentar a arrecadação de
impostos em 20 bilhões de reais em 2015. Na outra ponta da estratégia fiscal, a
meta é reduzir o custeio da pesada máquina federal.
Outras
medidas deverão ser anunciadas pela nova equipe econômica. Devem ser divulgadas
em doses homeopáticas para evitar maior rebuliço da opinião pública. O ano
corrente prometer ser de grande aperto não só aos governos (já que além do
governo federal, governadores estaduais e prefeitos anunciaram cortes
significativos em suas gestões) mas a cada um cidadão comum, até mesmo os de
maiores posses. E por que esse cenário agora? Por que chegou a esse ponto? Não
se previu? Houve descaso e incompetência?
Vários
fatores formaram esse cenário. Primeiro, a crise mundial foi de grande impacto.
Assolou economias europeias; fez ruir a zona do euro; estagnou os Estados
Unidos e fez a China crescer menos depois de dez anos consecutivos casa de dois
dígitos. Os detalhes e desdobramentos da crise, deixo humildemente para os
economistas. Minha análise é menos profunda. Mais direta.
Para
evitar esse cenário mostrado pelo mundo o governo tomou uma decisão naquele momento: iria
manter o ritmo de crescimento com medidas que fomentassem o crescimento econômico,
ou pelo menos, mantivesse estável a economia, com inflação controlada. Por isso
fez grande renúncia fiscal. Isentou diversos setores econômicos para manter a
indústria produzindo, acompanhando o consumo e este seria a “mola” dos bons
números. O mercado interno seria o colchão para amenizar a crise externa.
Em
economia, por ser número, tudo é exato. Não existe alquimia. Se existir é
falso. O governo começou a arrecadar menos e manteve altos investimentos no
país. Assim a balança começou a mudar, pesar só para um lado. Menos recursos
entrando e volume maior saindo. O deslize da equipe econômica chefiada por
Guido Mantega foi o câmbio. A variação do dólar não foi bem acompanhada. Logo
influenciou a economia interna, criando pequenas bolhas inflacionárias em
alguns setores, especialmente ligados à exportação. Logo a inflação começou a
tomar forma e corroer os pilares palacianos. Mantega caiu ainda antes da
eleição. Quase o PT deixa o Palácio do Planalto.

três anos o governo fez escolhas, tomou decisões. Buscou resolver, ou pelo
menos, adiar e amenizar a crise econômica. As medidas palacianas evitaram a
crise econômica em nosso país. Mas deixaram o governo refém de si mesmo. O
desleixo da política cambial e o descontrole nas contas públicas começam a
mostrar que deverão ser cruéis. Governo gastou além do que deveria. Agora
precisa reajustar com políticas clássicas: cortes no custeio, alguns em
investimentos e aumento de impostos para fazer caixa.
Fica
a pergunta: se não fossem tomadas as referidas medidas como estaria a economia
brasileira? Penso que pior do que está ou poderá ficar. As medidas anunciadas
devem ter efeito nos próximos meses. O governo precisa economizar. Ter 2015
como o ano do equilíbrio para retomar o crescimento em 2016 e nos anos
seguintes. Precisa passar segurança ao mercado. Mostrar que tem total
capacidade de honrar os seus compromissos. Cortar gastos desnecessários,
otimizar os investimentos. Aplicar melhor os recursos. Manter o combate à
corrupção.
A
fatura chegou cobrando as medidas e ações tomadas no passado. Que evitaram o
pior, mas tornaram os tão falados fundamentos econômicos frágeis. Em economia
deve-se aprender a esperar. Implementar ações e aguardar os seus efeitos. Assim
será o ano de 2015, gostem ou não. As medidas são necessárias, infelizmente.

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