Governo Dilma refém da governabilidade

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A reforma ministerial e a
composição do novo governo da presidenta Dilma deixou claro o nível de relação
de dependência do executivo com o Congresso Nacional e os partidos que compõe a
sua base política de apoio. Os 39 ministérios foram bem divididos entre a gama
de agremiações partidárias que estão – pelo menos – teoricamente do lado do
governo.
O PT, partido da presidenta,
ficou com seis pastas ministeriais. O PMDB com outras cinco. Foram as maiores
fatias deste imenso bolo do aparato estatal brasileiro. Os outros partidos
ficaram com duas ou uma pasta na composição ministerial.
Como esperado, PT e PMDB
reclamaram dos espaços reservados a eles no 1º escalão do governo. Queriam
mais. Respectivamente a justificativa foram: partido da presidenta; o maior da
base e de maior representatividade no legislativo.
Além de maior abertura aos
partidos, a reforma ministerial tornou titulares ministros que nem mesmo foram
apalavrados com suas legendas. Ou seja, acordos foram fechados nos bastidores,
sem necessariamente a concordância da direção ou executiva partidária.
A reforma ministerial do
governo Dilma foi a mais pragmática possível. Nada de romantismo ou de
indicações de “companheiros” históricos. O que vale são as indicações dos
partidos e de cotas pessoais. Dessa forma, os articuladores políticos do
Palácio do Planalto entendem que conseguem manter a “governabilidade”.
Esse perfil ministerial
trouxe a Esplanada dos Ministérios nomes que foram rechaçados até mesmo pelos
petistas e aliados governistas. A senadora Kátia Abreu seria o maior exemplo. A
entrada dela no governo, por exemplo, representa maior proximidade do Palácio
do Planalto com o agronegócio (relação sempre conflituosa desde quando o PT
chegou ao poder em 2003.
Ficou claro que o governo
Dilma errou muito na condução da articulação política. Apanhou muito no
Congresso e viu a base quase ruir por falta de habilidade dos que conduziram o
trato com o legislativo. O desgaste foi grande. “Aliados” fizeram de tudo para
dificultar a vida do governo. E conseguiram. Diversas crises foram abafadas por
conta do atendimento aos congressistas por cargos e repasses. Várias derrotas
foram impostas ao governo no Congresso.
Com a instabilidade
eleitoral da presidenta (resultado das urnas com virada e votação equilibrada)
tornaram Dilma mais frágil politicamente. O Congresso sabe disso. Por isso a
ordem do Palácio do Planalto foi montar um ministério pragmático, atendendo ao
número maior de partidos e que consiga dar ao executivo a governabilidade.

Se a reforma ministerial
conseguiu o seu objetivo maior ainda é cedo para afirmar. A priori, pelo menos
até o momento, podemos dizer que sim. Mas o fisiologismo partidário que domina
a política brasileira é grande e impõe seus desejos. Por isso, quem sabe,
temporariamente o governo acalmou o Congresso. Pelo menos, por enquanto. O
próximo embate será pelas presidências da Câmara e Senado. A governabilidade
custa caro e ainda a fatura total não chegou.

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