Helenilson Pontes assumiu a ingovernável Seduc

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Ontem, 01, o governador reeleito Simão Jatene, deu posse ao
secretariado para o seu 2º mandato. Para a pasta da educação foi escolhido o
ex-vice-governador do Estado, Helenilson Pontes. Reconhecido como um quadro
competente, talvez, me arrisco a afirmar que ele é o melhor técnico do aparato
governamental estadual da última gestão tucana.
Por que Helenilson para a Seduc? Sem muito esforço e
pesquisa histórica, percebe-se que a secretaria de educação é a pasta de maior
rotatividade das últimas gestões que passaram pelo Palácio dos Despachos. Só
para exemplificar: no primeiro governo Jatene (2003-2007) foram três trocas. Na
gestão seguinte, o governo de Ana Júlia, foram cinco mudanças. Na 2º passagem
de Jatene pelo Executivo paraense, gestão encerrada recentemente, foram quatro
permutas. Em 12 anos, 12 nomes comandaram a Seduc. E por que essa rotatividade?
A Seduc é a maior secretaria estadual. Tem pouco mais de 90
mil servidores (entre ativos e inativos), 70% do quadro funcional do Estado. A
questão não é tamanho ou as dimensões que a pasta da educação carrega. O centro
da questão é o formato de gestão, igual há anos, independente de governos,
partidos e secretário. Escrevi há três anos texto e o publiquei no blog sob o
título: “Seduc, uma secretaria ingovernável”.
Independentemente de quem assume a pasta, o modelo de gestão
está errado, ultrapassado, engessado e sem operacionalidade. O secretário pouco
pode fazer. Por isso a rotatividade. Na eleição passada, pude ter a
oportunidade de conversar com um candidato ao governo do Estado, via rede
social, e sugeri a ele, caso eleito, o que poderia fazer na Seduc. Sugeri um
amplo debate a modernização completa da gestão. Caso contrário continuaríamos a
acompanhar o caos.
Além da Seduc não ser moderna, ainda há milhares de pilhas
de papeis, convertidos em processos, empilhados pelos corredores e salas. O
prédio sede, localizado na rodovia Augusto Montenegro é antigo e deteriorado. O
sistema de lotação é precário. O modelo de gestão em URES (Unidades Regionais
de Ensino) em um total de 20, espalhados pelo território paraense se mostram
inoperantes. As USES (Unidades da Seduc nas escolas) são espalhadas pelas unidades
educacionais da capital. Parecem não se encontrar. Há mais desencontro de
informações do que acordos de cooperação entre grupos de trabalho. Muito do
volume de informações ainda não é informatizado. Fui servidor por três anos da
Seduc.
Conheço na prática o que escrevo aqui. Os argumentos que
apresentei, são só uma análise superficial dos problemas, há muitos outros.
Isso tudo torna a Seduc ingovernável, independente de secretário. O mandatário
da pasta acaba se tornando um mero objeto ilustrador de uma grande e inoperante
engrenagem.

A escolha de Helenilson para a Seduc, tem o objetivo de
buscar melhorias na área. Dar maior qualidade gerencial. O ex-vice-governador
mostrou que sabe gerir. O melhor e mais bem preparado (até mais que o próprio
governador) tem a missão de gerenciar a pior e mais complexa secretaria do
governo. Espero – como professor – que Helenilson tenha sucesso à frente da
Seduc. A sofrível realidade da educação pública no Pará não pode esperar por
mais quatro anos de descaso. Que Helenilson consiga governar a ingovernável
Seduc. Pelo bem do futuro do Pará.

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