Jatene continuará aprofundando as diferenças regionais no Pará

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O discurso da integração regional propagado pelo governador
Simão Jatene não durou nem um mês após o processo eleitoral que o reelegeu,
tornando-o o primeiro governador eleito por três vezes ao Palácio dos
Despachos.
Na campanha eleitoral Jatene prometeu descentralizar a
máquina estadual, através da ida de instituições de governo e aumento dos
investimentos nas regiões paraenses mais afastadas da capital. O governador
disse que construirá dois centros administrativos, um em Marabá e outro em Santarém,
contemplando as regiões sul/sudeste e oeste paraense respectivamente.
Uma semana após ser reeleito, Jatene concedeu entrevista ao
jornal O Liberal, deixando claro na ocasião que a sua prioridade seria diminuir
das diferenças regionais existente no Pará. O discurso falacioso durou pouco. Menos
de um mês. A máscara do governador caiu quando a Lei Orçamentária do executivo
para 2015 foi enviado à Alepa. O montante orçamentário chega a R$ 16,3 bilhões.
Em comparação a peça orçamentária enviada ao Legislativo em
2014, o governo tucano duplicou os investimentos para a RMB (Região
Metropolitana de Belém) e diminuiu consideravelmente os repasses para as
regiões sul, sudeste e oeste paraense. Ou seja, na prática, indo de encontro
com o discurso e promessa.
Em 2014, por exemplo, a título comparativo, teve R$ 5,9
bilhões em recursos do tesouro estadual e passará a ter em 2015 R$ 11,7
bilhões. Aumento de 96% em 12 meses. Pouco mais de 70% de todo o orçamento
estadual será investido na capital Belém e seus outros cinco municípios que formam
a RMB.
Já para a região de Carajás (centro econômico do Pará) teve
o orçamento reduzido em mais da metade em comparação com 2014. Carajás tinha
orçamento na ordem de R$ 1 bilhão e vai passar a ter apenas R$ 438,2 milhões. A
região que mantém porcentagem considerável na balança comercial paraense, teve
corte de mais de 50% nos investimentos. Ou seja, menos Estado.
Já o oeste paraense, a região do Tapajós, teve orçamento
reduzido também. Contava em porcentagem com 1,42% em 2014 para 0,66% em 2015.
Novamente menos Estado.
Coincidentemente os locais ou regiões em que o governador
reeleito perdeu nas urnas, houve diminuição de investimentos. A RMB que,
eleitoralmente, garantiu ao governador o seu terceiro mandato, o segundo
consecutivo, teve orçamento dobrado. Seria uma resposta de Jatene ao processo
eleitoral?
As regiões que tiveram cortes em seu orçamento, reúnem pouca
força política na Alepa para tentar mudar a peça orçamentária enviada pelo
executivo. Sendo assim, o discurso de descentralização administrativa e aumento
de investimentos em outras regiões paraense não passou de pura balela. Mais um
teatro armado pelo governador Jatene.
Como escrevi recentemente, em 2018 o PSDB completará 20 anos
no Palácio dos Despachos, 16 consecutivos. Nessas duas décadas as assimetrias
regionais no Pará não foram diminuídas. O plebiscito em 2011 aprofundou essas
diferenças. Mostrou um Pará dividido, a capital cada vez mais distantes de
novos centros econômicos que surgiram e hoje ditam o ritmo da economia paraense.

Jatene tinha em suas mãos a possibilidade de mudar, ou pelo
menos, amenizar as diferenças regionais, começando com a reestruturação do
orçamento do Estado, aumentando os recursos para algumas regiões e mantendo os
índices do ano anterior para outras. Teria a possibilidade de atacar um dos
maiores problemas do estado do Pará: a centralização administrativa. Fez
justamente o contrário. 
Os seus “possíveis” futuros centros de governos, se saírem
do Pará, terão orçamentos pífios para administrar. Ou seja, já morreram antes
mesmo de nascerem. O sudeste, sul e oeste paraense foram penalizados por discordarem
da forma como o governador Jatene administra o Pará. No fim, estavam certos. A
RMB continuará a ser um castelo rodeado de muros, cada vez mais distante dos
novos centros econômicos paraense. 

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