Jatene e a sua própria herança maldita

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Seguindo a lógica do atual cenário de instabilidade fiscal que se
forma no Brasil, incluindo o governo central e os entes federativos, pode-se
afirmar que o governador reeleito, Simão Jatene, herdou de si próprio, para o
seu segundo mandato, o terceiro à frente do executivo paraense, uma herança
maldita. Sem muito esforço percebe-se que o ano de 2015 será muito difícil
ao novo governo tucano, a quinta gestão, a quarta seguida do PSDB no Palácio
dos Despachos. 
O próprio governador em ocasião da cerimônia de posse, afirmou que
haverá cortes severos no custeio da máquina. A ordem é diminuir gastos,
“apertar os cintos”. Para isso foi implementado (ainda na teoria e
nada visto na prática nos primeiros dias de governo) reforma administrativa
que, visa economizar R$ 18 milhões por ano e reorganização do minguado
plano de investimentos do orçamento anual de 20 bilhões de reais que Jatene
terá para aplicar em 2015 no estado do Pará.
Durante a sua última gestão (2011-2014) o governador sempre
justificou os pífios resultados práticos por estar “ajustando” a máquina,
recolocando em ordem a situação fiscal e financeira do Estado do Pará. No
referido período estivemos na lanterna de investimentos da região norte. No
biênio 2011-2012, os dois primeiros anos da última gestão, os investimentos
ficaram em 5,4%. Recorde negativo. O governo anterior da petista Ana Júlia,
entregou aos tucanos o índice de investimento na ordem de 11,22%. Só perdendo
para o ex-governador Almir Gabriel.
Em 2013 com orçamento de R$ 16,6 bilhões, Jatene investiu apenas
7,19%. Em comparação de investimentos com outros Estados: Acre (17,26%),
Amazonas (16,52%) e Amapá (11,22%). No nordeste, o Maranhão ficou em 10%. Isso
demostra o pouco que foi direcionado pelo governo tucano para investimentos em
solo paraense. O orçamento é consumido pelo custeio e pagamento de dívidas,
pouco sobra para a construção de obras.
Ou seja, Simão Jatene, inicia o seu 2º mandato com grandes
dificuldades. Parte dele pelo contexto nacional e internacional.
Consideravelmente por conta da sua péssima gestão anterior. Um encerramento
fiscal e financeiro no limite da sobrevivência. O governador tucano colhe os
frutos que plantou nos últimos quatro anos.
A falta de manobra orçamentária não é uma novidade e nem começou
com os tucanos. Historicamente mostra um Estado sem recursos frente a sempre
crescente demanda. Uma máquina pública que aplica quase em sua totalidade
orçamentária o custeio e o pagamento de dívidas. Quase nada em novas obras. Sem
parceria com bancos nacionais e internacionais nada é feito.
Por isso o governador Jatene em seu discurso de posse e em outras
ocasiões, pede, quase suplica, que se busque aumentar o orçamento do tesouro
estadual. Pede ao seu secretariado a diminuição dos custos e novas fontes de
receita. Simão sabe que precisa elevar as baixas taxas de investimentos de sua
antiga gestão. Percebe o cenário desfavorável e os desafios com menos recursos.
Projeta em sua cabeça e em suas estratégias políticas-eleitorais para 2018.
A herança maldita que Jatene se presenteou será o seu maior
desafio. Mudar a lógica da reeleição no Brasil: ter o segundo mandato pior do
que o primeiro. O recado das urnas foi dado. Se isso acontecer, o Pará continuará a ser penalizado pelos
péssimas gestões que passaram pelo Palácio dos Despachos que nada mudam a
triste realidade social do Pará.

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