Jatene reeleito e o futuro do Pará

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Ontem a maioria do eleitorado paraense concedeu ao atual
governador Simão Jatene mais quatro anos à frente do executivo paraense. O
governador caminha para o seu terceiro mandato, algo inédito no Pará. Jatene
reverteu a disputa e conseguiu ter mais votos no 2º turno do que no 1º. O seu
adversário, Helder Barbalho, obteve menor votação. O índice de abstenção foi
recorde. Ou seja, muitos paraenses não votaram, ou não se sentiram estimulados
a escolher o futuro governador.
A exemplo do 1º turno, os votos foram regionalizados. Helder
Barbalho venceu nas regiões sul, sudeste e oeste do Pará. Jatene ganhou na RMB
(o maior colégio eleitoral do estado) e nordeste paraense. Os apoios recebidos
por Helder no 2º turno não surtiram efeito, não agregaram votos ao candidato do
PMDB. O candidato derrotado ao Senado, o radialista Jeferson Lima que conseguiu
600 mil votos, 80% deles na RMB, de nada acrescentou a Helder.
Jatene venceu uma disputa acirrada. A diferença foi pouca. O
recado das urnas foi dado. Muitos não concordam ou não aprovaram a atual gestão
tucana em solo paraense. Os índices de rejeição ao governo sempre se mantiveram
altos. Jatene para muitos, inclusive tucanos, fez o pior governo do PSDB entre
todas as gestões passadas. Precisa melhorar muito o seu novo governo. Helder
Barbalho não venceu, mas se posicionou muito bem para 2018, ano que Jatene
estará fora e ainda o seu sucessor é uma incógnita.
Jatene governará um estado dividido, reflexo da falta de
investimentos do governo estadual e do plebiscito de divisão territorial no
Pará. O prometido por ambas as candidaturas é redefinir o processo de gestão no
território paraense. O plebiscito ocorreu em 2011 e nada avançou na integração
regional. O Pará continua sendo um arquipélago econômico, ou seja, um
território retalhado por seu próprio processo histórico e falta de
investimentos.
Jatene precisa colocar em prática a descentralização
administrativa e centros de gestão em Marabá e Santarém, por exemplo. Criar
condições políticas para que o orçamento estadual possa ser melhor
redistribuído pelo território. Moro hoje na cidade de Parauapebas, sudeste do
Pará, município de 180 mil habitantes (segundo o censo do IBGE) e não vejo na
cidade nenhuma obra com recursos do governo estadual. E assim é em vários
municípios.
Daqui a quatro anos, em 2018, o PSDB completará 20 anos
governando o Pará, 12 sucessivos e mais oito em sequência e não caberá mais
desculpas da falta de mudanças na triste realidade social paraense. Como
paraense não posso torcer pelo insucesso de Jatene. Desejo ao governador
reeleito uma gestão melhor do que a pífia atual, pelo bem do Pará.

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