Qual é a fonte?

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A rede mundial de computadores e suas diversas redes sociais estão chegando à patamares insuportáveis de ilegalidades, sobretudo, no campo das notícias. Os chamados “Fake News” estão a cada dia se volumando, criando um perigoso paralelo com o que é falso, e com o que é – de fato – verídico.

São notícias de todas as ordens, de todos os tipos. Acusam, derrubam imagens, índoles, reputações, mancham histórias, matam, ferem… Sem nenhum pudor, ou minimamente responsabilidade. Além dos que produzem esse tipo de material “informativo”, ainda têm os que o propagam, ou seja, espalham no varejo, sem antes, pelo menos, ler ou verificar a fonte. Tornam-se coautores desses irresponsáveis atos. E assim, em minutos, uma notícia toma grandes proporções (dependendo do seu conteúdo, neste caso, quanto mais polêmico, mais visibilidade).

A democratização do acesso à informação, a propagação das redes sociais, tornaram a internet algo sem controle. O escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. Ocorreu uma especialização no varejo de tudo e de todos. Temos um especialista sobre um assunto em cada esquina. 

Não que os menos letrados, menos informados, não possam emitir opinião. Claro que podem. Mas a grande maioria desses iletrados passaram a serem formadores de opinião aos seus iguais e outros com menor ainda nível de conhecimento. Segundo Eco, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior. “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, acrescentou

Sem dúvida, essa selvageria dialética está fomentando cada vez mais à intolerância, o revanchismo, entre as pessoas. As plataformas virtuais tornaram-se arenas modernas, e que o lema é atacar, “derrubar o inimigo” a todo o custo. Criou-se e parece que está se institucionalizando- se a inverdade, como algo verdadeiro.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, essa frase é de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, exercendo severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação. Desde 2013, quando se criou a sensação de tensão e caos no país, a propagação de informações falsas só aumenta, o que piora mais o nível de tensão e nutri o sentimento revanchista e intolerante de milhões de pessoas.

A consultoria de segurança cibernética Trend Micro investigou esse mercado e publicou recentemente a pesquisa “The Fake News Machine” (A Máquina das Notícias Falsas), na qual destrincha a indústria da pós-verdade em todo o mundo.O foco do estudo da Trend Micro foi identificar como funciona a máquina de falsificar notícias em três segmentos. O primeiro é o mercado de Digital Influencers (Influenciadores Digitais), celebridades das redes sociais que nascem da noite para o dia e que são especialistas em determinado assunto, mas que dão opinião sobre tudo. Depois, esmiuçou os serviços para manipular a opinião pública a fim de provocar uma manifestação. Por fim, a manipulação de uma ação em curso por meio de criação de sites e campanhas.

Para Benjamin Rosenthal, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apesar dos esforços das empresas de tecnologia, os leitores ainda estão muito suscetíveis às Fake News. De acordo com o professor, a polarização política tem favorecido as notícias falsas.“Existe um fator chamado dissonância cognitiva. As pessoas tendem a rejeitar informações contrárias a sua opinião e acolhem as que confirmam”, afirma Rosenthal. “Assim, o conteúdo falso que é propagado torna-se poderoso, pois as informações são direcionadas a determinado público e reiteram o que aquelas pessoas querem acreditar.”

A citação, a produção autoral parecem terem perdido espaço. Importa cada vez menos saber quem é ou que fez, produziu. Basta propagar e se for o caso, alterar o seu conteúdo. E se for necessário cita-se quem fez, mas com a troca de autor. Parece que estamos fomentando uma esquizofrenia dialética sem percebemos o perigo que se sustenta no que parece ao se propagar uma mentira, uma indicação falsa.

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff é um exemplo. O Partido dos Trabalhadores, especialmente a imagem de Lula, sejam, talvez, os mais usados por essas falsas notícias. As citações são as mais emblemáticas neste campo de produção de falsas notícias. Quantas pessoas no país acreditaram nas mais absurdas acusações contra os referidos? Quantos não buscaram apoiar adversários ou formar opinião através de notícias sem fundamento ou inverídicas?

A internet tornou-se um reduto paralelo da informação. As redes sociais impulsionaram de forma sistemática tal situação. Como se ameniza esse cenário paralelo de mentiras? Com educação, bom senso, dignidade e respeito. Não se faz necessário mentir ou inventar algo para atacar alguém ou fazer oposição a um governo, grupo, a uma pessoa. Basta propagar verdades. Não divulgar uma notícia falsa ou que não tem fundamento, sem origem de produção, já seria um bom começo, uma boa ajuda. 

Se faz necessário, no mínimo, que se apure uma notícia ou fato, antes de espalhá-los por aí. É um exercício simples de cidadania. Portanto, sempre precisamos cobrar: qual é a fonte?

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