Três anos após o plebiscito da divisão do Pará, o que mudou?

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Há exatos três anos o estado do Pará passava por um
marco em sua história. Estava sendo realizado um plebiscito para saber se a
dimensão territorial paraense se manteria ou seria desmembrada em mais duas
unidades federativas: Carajás e Tapajós no sudeste e oeste paraense, respectivamente.
Há exatos dois anos, escrevi sobre a questão. Completava
naquele momento um ano da consulta popular. E eu já me perguntava, refletia e
provocava sobre o que estava sendo feito para atenuar as assimetrias regionais
paraenses. Sem esforço se percebia que nada. Várias promessas de integração
regional foram levadas pelo vento. O próprio governador Simão Jatene, que um dia
após o plebiscito, concedeu entrevista a um canal de televisão, apresentou as
possíveis ações por parte do Estado para amenizar e atender as demandas das
regiões mais afastadas da capital. Balela palaciana. Nada mudou.
Nos últimos dias se completou três primaveras ou se
preferir, verões ou invernos amazônicos e nada foi feito. Pelo contrário,
aprofundou-se as diferenças. A RMB (Região Metropolitana de Belém) continua
cada vez mais isolada do resto do território paraense, rodeada por “muros”
invisíveis, sem a devida conexão com o restante do território. O Pará parece
feito de feudos, aos moldes da Idade Média.
Como mudar isso? Não tem fórmula mágica ou ações
extraordinárias. O Estado precisa repensar o modelo de gestão, buscar a
descentralização da máquina, equilibrar o orçamento, sobretudo na questão de
investimentos. Isso se espera ou se esperava do governo Jatene. Nada disso foi
feito em seu primeiro mandato, o segundo na história no Palácio dos Despachos.
Agora, através das urnas, Jatene terá o terceiro mandato, o segundo
consecutivo, sendo o único a chefiar por três vezes o executivo paraense. O que
esperar para os próximos quatro anos?
A última disputa eleitoral parece ter deixado cicatrizes
fundas no Palácio dos Despachos. Conscidência ou não, as regiões em que o
governador perdeu nas urnas, no novo orçamento enviado à Alepa, perderam
investimentos, parte do bolo orçamentário. O volume de recursos que o governo
Jatene terá em 2015 chegou a R$ 20 bilhões. A RMB levou mais da metade desse
volume bilionário. Houveram cortes nos recursos destinados as regiões de
Carajás (sudeste paraense) e Tapajós (oeste paraense), bem consideráveis em
relação ao atual orçamento em vigor.
Fica claro que o discurso de integração regional ficou sem
sentido. Como integrar? Desenvolver? Com menos recursos? Essa alquimia só pode
ser conhecida pelo próprio governador. 
Jatene vem lardeando aos ventos, e a quem quiser ouvir que
irá criar os centros administrativos. Serão duas unidades: em Marabá e
Santarém, as duas maiores cidades das regiões sudeste e oeste, respectivamente.
Qual perfil de atuação teriam esses centros? Seriam órgãos independentes, que
terão autonomia de gestão? Ou meros cabides de empregos para aliados regionais?
Como criar essa estrutura administrativa com menos recursos?
A disputa em 2011 entre o SIM e o NÃO, mostrou-se apenas ser
um processo eleitoral. A confirmação de um estado dividido, com pretensões
diferentes e com desejos opostos. O plebiscito confirmou, via processo democrático
de consulta popular, que a divisão do território paraense é algo inevitável. O
NÃO venceu por reunir a maior quantidade de eleitores, ter o maior colégio
eleitoral. Em termos números o resultado não foi surpresa. Mas certo mesmo que após três anos do plebiscito, o Pará
continua desigual e divido. A cada eleição essa separação territorial parece
mais forte. 
As quatros gestões do PSDB e uma do PT não conseguiram diminuir
essa divisão. O retalhamento do território paraense parece ser inevitável, algo
que está sendo postergado, mas é um caminho sem volta. Questão de tempo e organização
para que ocorra. O Pará já está dividido. 

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