A força da TV e o avanço das redes sociais

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Segundo os números de dois relatórios: um da ONG We Are Social e outro da Hootsuite ajudam a mensurar o poder das redes sociais na campanha eleitoral, em 2018. Esse processo de avanço das redes é algo inevitável, cresce pela lógica do acesso cada vez mais frequente do registro de internautas. De olho nesse universo, os políticos já avançam nas redes. E esse fluxo só tende a aumentar.

Inegavelmente, a TV ainda deve concentrar a atenção dos políticos e dos eleitores. Deutsche Welle publicou recentemente um artigo na Carta Capital, em que analisa essa relação entre TV e a Internet. Segundo ele, a última pesquisa de mídia no país feita pelo governo federal, em 2016, apontou que 63% dos brasileiros se informavam pela televisão, deixando a internet na segunda colocação, com 26%. Os dados são próximos de uma pesquisa Ibope/CNI feita em junho deste ano: 62% dos 2 mil entrevistados apontaram que devem ser informar sobre os candidatos pela TV, e 26% por redes sociais e blogs. 

Para o chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV, Marco Aurelio Ruediger, TV e redes sociais não podem ser vistas como corridas distintas na eleição, mas complementares.

“A maioria dos brasileiros se informa através da televisão ainda. Mas TV e redes sociais não são formas excludentes de informação. Se olharmos bem, um número muito parecido hoje já se informa pelas redes sociais. O Brasil é um dos cinco maiores usuários de Twitter e Facebook no mundo. O elemento novo são as redes sociais, a televisão sempre foi importante. Mas, ao contrário da TV, o impacto das redes se dá em tempo real, em uma escala imensa. A internet tem um fator multiplicador importante”, afirma Ruediger.

“Não acredito que as redes sociais possam definir sozinhas uma eleição, mas podem fazer a diferença quando a margem de erro for de 1 a 2 pontos. Na eleição em que Trump venceu, as mídias tradicionais foram hegemônicas até determinado ponto, nos dois últimos meses as redes sociais tiveram um impacto enorme na votação. Então acredito que as campanhas terão uma mistura dos dois, com o elemento novo que são as redes”, diz Ruediger.

Levando em consideração as análises feitas pelos especialistas, não há como afirmar que a eleições de 2018 serão decididas pelas redes sociais. Indiscutivelmente, na atual disputa, os resultados terão sido mais influenciados do que nas últimas eleições, por exemplo, a mais recente, de 2016. Seguindo a lógica, a de 2020 poderá sofrer mais influência das redes sociais do que a atual. Essa é a tendência.

No Brasil, apesar do avanço da internet, ainda há a predominância do que chamo de “cultura da TV”, ou seja, o hábito da ampla maioria dos brasileiros (sobretudo, nas gerações passadas, mas que – de certa – forma influenciam a atual) de sentar em frente a uma televisão após um dia de trabalho, com objetivo de buscar as informações do dia.

No tocante ao acesso à internet e seu efeito na disputa eleitoral no Brasil, percebe-se que mesmo com todo esse volume de internautas, o interesse na política configura-se em um dos mais baixos níveis de nossa história. Internet é afinidade, ou seja, acessa-se o que quer se ver ou assistir. Outra vertente do fomento ao acesso é a curiosidade. Neste ponto, a política pode entrar, pela própria ressonância que a campanha eleitoral provoca.

Na atual disputa presidencial, a relação internet x TV estará posta sob análise, com base em um aspecto eleitoral de dois personagens: Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro. O primeiro terá disparadamente o maior tempo de exposição na TV; porém, não decola e se posiciona longe do segundo turno, até o momento. No caso do tucano, a força da TV será testada. A exposição televisiva do referido candidato será suficiente para colocá-lo no segundo turno? O retrospecto histórico diz que sim.

Jair Bolsonaro lidera as pesquisas (sem a presença de Lula), e terá oito segundos de TV. Conseguirá se manter na liderança? Sua estratégia de centrar ações na internet, será suficiente para levá-lo ao segundo turno? Ou, pelo menos, evitar a sua queda nas pesquisas? Se Bolsonaro se mantiver competitivo, configurando nas pesquisas nos primeiros lugares, com garantia de uma vaga no segundo turno, outros parâmetros sobre a influência da internet, no caso do Brasil, deverão ser redefinidos. 

A eleição presidencial, em 2018, será o grande teste para a mensuração da força da TV e das redes sociais. Portanto, cabe-nos aguardar e analisar.

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