A desigualdade social no Brasil só tende a aumentar

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Inegavelmente todo o avanço social conseguido pelo Brasil entre 2004 e 2014 parece se diluir, desidratar a cada dia. Dois fatores são determinantes para o atual cenário: crise econômica e as ações do governo Temer. Claramente o novo governo combate à crise econômica (ainda tem a política) com medidas que em nada promovem seguridade social aos mais necessitados. Pelo contrário, as políticas públicas se configuram como conservadoras, preocupadas em defender os interesses dos mais abastados e sem contemplar os figurantes das camadas sociais mais baixas.

As reformas atingem diretamente quem mais precisa de auxílio do aparato estatal. Claramente a ordem do Palácio do Planalto é continuar os cortes nos serviços sociais. Entre os afetados está o programa Bolsa Família, um dos principais responsáveis pela redução da pobreza no país durante a década de 2000. Entre 2004 e 2014, dezenas de milhões de brasileiros saíram da pobreza e o país foi citado com frequência como um exemplo para o mundo. Diversos países, como a Itália, por exemplo, busca implementar tal plano social, seguindo as bases do programa de renda mínima já praticada em diversos países.

A tendência à redução da pobreza vivida entre 2004 e 2014 se reverteu nos últimos dois anos: “muitas pessoas que saíram da pobreza, e inclusive aquelas que haviam se convertido em classe média, retrocederam”, afirma Mônica de Bolle, pesquisadora principal do Instituto Peterson de Economia Internacional, com sede em Washington.

O Banco Mundial estima que cerca de 28,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2004 e 2014. Mas a instituição também estima que desde o início de 2016 até o final deste ano, os brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza (com 140 reais por mês) passarão de 2,5 milhões de pessoas a 3,6 milhões.

Segundo matéria do jornal “El Pais”, os rendimentos não trabalhistas, incluindo os programas sociais como Bolsa Família, contribuíram com cerca de 60% na redução do número de pessoas que viviam na extrema pobreza durante a década do boom econômico do Brasil, segundo Emmanuel Skoufias, economista do Banco Mundial e um dos autores do relatório sobre os “novos pobres” do Brasil. Os economistas sustentam que uma taxa de desemprego elevada e os cortes em programas sociais importantes poderiam exacerbar os problemas.

Os altos preços das commodities e os recursos petroleiros durante a época de bonança ajudaram a financiar os programas sociais dirigidos aos mais pobres. O desemprego hoje chega a 12,6%, nove pontos percentuais a mais que 2013. E com a recuperação lenta da economia, o cenário não deverá mudar em 2018, talvez, se estabilizar com a retomada gradativa da economia, mas abaixo do necessário.

Não se pode esquecer que a crise política, incluindo aí as ações do Congresso Nacional, inviabilizando o governo da ex-presidente Dilma, aliado a incompetência da mesma, o impeachment…. Todos esses componentes aprofundaram os problemas econômicos, sobretudo, no que diz respeito ao nível de confiança interno e externo.

Por mais que a economia se recupere ao ponto da geração de emprego e renda serem reativados satisfatoriamente, ainda no governo Temer, não há garantia que ajam ações ou políticas sociais mais contundentes. Portanto, o governo que não tem compromisso social só irá aprofundar as desigualdades que, por um período, tirou o Brasil do mapa da fome, e fez o mundo elogiar os avanços sociais. Pena que isso é passado e não há a garantia que volte. Pobre Brasil.

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