Releitura: Parauapebas e a cultura do fogo

Compartilhe nas redes sociais.

Este artigo de opinião foi escrito originalmente em 2015, data de meu primeiro ano na cidade. Período em que enfrentei “in loco”, pela primeira vez – o que só, até então ouvia falar – o período de estiagem (fim das chuvas do inverno amazônico) e com ele a proliferação de queimadas, sobretudo, em área urbana, o que diga-se de passagem, é crime.

Portanto, a cada novo ano, o texto é colocado (até por uma questão didática) em pauta, com atualizações e novas referências. Ele já foi tema de minha coluna semanal no Portal Canaã, e foi apresentado no blog no ano passado. Boa leitura:

O fogo foi a maior conquista do ser humano na pré-história. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O homem pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava muitas bactérias existentes na carne.

O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva. Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.

Assim o fogo foi criado e se desenvolveu acompanhando a própria evolução humana. Resolvi abordar tal questão pelo que acompanho “in loco” em Parauapebas. Primeiramente, se faz necessário diferenciar queimada e incêndio. O primeiro é uma conhecida prática agrícola que tem como objetivos: controlar pragas, limpezas de áreas para plantio e renovação de pastagens. Assim sendo, o fogo é muito utilizado em nossa agricultura. Já incêndios são de proporções maiores, atingindo grandes áreas, sem planejamento, muitos considerados criminosos.

A questão central deste texto é debater os feitos especificamente das queimadas. Conforme descrito, são necessárias para as atividades do campo, mas quase sempre, são descontroladas, ocasionando sérios problemas ambientais em seu entorno. A retirada da cobertura vegetal ocasiona aumento da temperatura, refletindo em períodos de estiagem mais longos e secos, conforme começamos a viver e que se prolongará pelos próximos meses, repetindo-se ano após ano.

Basta uma volta rápida por algumas ruas, quadras, próximo ao centro que se percebe diversas áreas que já foram queimadas (e se não foram, possivelmente serão durante o longo período de estiagem), com a retirada completa da cobertura vegetal, além do impacto no solo, quase sempre o empobrecendo. O processo ainda está no começo (pois o período de chuvas terminou recentemente), e logo tomará proporções bem maiores, especialmente nos meses de agosto, setembro e outubro. Os morros que contornam o município, sobretudo, os que estão situados no cinturão urbano da “capital do minério” são sempre os atingidos em potencial. Suas coberturas vegetais são retiradas sem qualquer punição ou – pelo menos – a identificação de quem promoveu tamanho atentado ambiental. Tornou-se rotina, algo corriqueiro. Criou-se para a infelicidade do município a “cultura do fogo”, que ocorre no dia-a-dia, por exemplo, desde a queima de lixo ou de folhas no quintal de uma casa. 

A situação fica tão crítica que em determinados dias, que a cidade inteira é tomada por uma grande nuvem de fumaça, limitando a visibilidade, piorando o ar que já é bastante poluído. Estamos criando um clima insuportável na região. A cada ano com temperaturas mais altas, menor umidade e diminuição das áreas verdes. Até quando a cultura do fogo vai ser predominante na região, especificamente em Parauapebas? Com a palavra as autoridades públicas competentes…

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*