A Copa no ex-país do futebol

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Daqui a pouco, dentro de algumas horas, iniciará na Rússia o maior evento esportivo do planeta: a Copa do mundo. Serão 32 seleções que estarão sendo o centro das atenções; e o território russo, ou melhor metade dele, estará recebendo todos os holofotes e atenção da imprensa mundial.

No Brasil, o ainda chamado “país do futebol”, referência que já vinha sendo contestada e que agora, parece ter sido desmistificada. Na última terça-feira (12), foi divulgado levantamento realizado pela empresa de informação, dados e medições Nielsen Sports, que estabeleceu um ranking com 30 países de acordo com a porcentagem da população que se diz interessada em futebol. O Brasil apareceu 13º lugar. Segundo a pesquisa apenas 60% dos brasileiros entrevistados se dizem interessados no esporte mais popular do planeta. Os Emirados Árabes Unidos lideram o ranking dos países com maior percentual de aficionados do esporte (80%), seguidos da Tailândia (78%), Chile, Portugal e Turquia (todos com 75%).

O jornalista Cosme Rímoli já vinha apresentando em seu excelente blog no portal R7, a queda brusca de audiência dos jogos de futebol transmitidos pela televisão. Em termos de presença em estádio de futebol, na última temporada, o campeonato brasileiro teve público médio de 16.418 espectadores. E para a atual temporada essa média tende a cair.

Portanto, é claro o desinteresse público pelo futebol no Brasil. Isso é confirmado pela baixa repercussão que a Copa do Mundo está causando. Em pesquisa o Instituto DataFolha divulgada semana passada, mostrou que 53% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum interesse no mundial. O nível de desinteresse segundo a pesquisa não era tão baixo desde a Copa do Mundo de 1994.

Isso é explicado por diversos fatores, não só pelo desinteresse pelo futebol em si. O Brasil, desde 2013, vive intermitentemente grande turbulência político-social. O Mundial realizado aqui acirrou os ânimos, quando se relacionou os gastos com infraestrutura para o evento e a condição social do país. O 7×1 foi a “cereja do bolo”. No ano seguinte, as manifestações de rua, com a ampla maioria usando a camisa da seleção com o emblema da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade mergulhada em denúncias de corrupção, com os seus dois últimos presidentes afastados (um inclusive preso). Hoje, a esquizofrenia de milhões que foram às ruas com emblema de uma entidade corrupta soa como repudio coletivo.

Evidente que o nível de interesse está ligado ao próprio desenvolvimento do evento e desempenho do Brasil no Mundial. Mas independente de desempenho, até com a conquista do título, o desinteresse do brasileiro pelo futebol, em especial pela seleção é uma tendência. A condição político-social do país, a desmotivação coletiva com símbolos nacionais, o patriotismo que nunca houve, mas que parece caminhar para o seu total incrédulo é uma retórica importante.

Que venha a Copa do Mundo, que o ex-país do futebol irá acompanhar com a camisa “amarelinha”, aquela que ajudou a instaurar o impeachment, que apoiou o golpe. Viva aos patos!

 

1 Comentário

  1. Ainda que o texto seja interessante(com a ressalva de que a analise sobre as estatisticas citadas mereça uma discussão mais aprofundada),o seu desfecho resvala para o mais reles preconceito,aquele bem antigo, de que o “povo não sabe o que faz” e precisa de “tutores” para lhes ditar o que é certo ou errado, ou qual causa é efetivamente boa.Indiscutivelmente, grande parte das mazelas que hoje nos desestimula, são consequencias diretas de um projeto de poder que, dentre outras insanidades, quebrou os correios, a CEF e quase quebra de vez a Petrobrás.Se hoje estamos desinteressados pela COPA, em muito isso se deve pela farra que foi o projeto COPA 2014, capitaneados por essa turma que ainda está ai, visto que o TEMER, gostem ou não, é cria exclusiva de Lula e Dilma, sócios politicos de longa data.Ao emitir preconceituoso conceito sobre os brasileiros que apoiaram o impeachment,o articulista comete um gesto falho, ideológico, quase messiânico, que exclui qualquer autocrítica. Os “outros” e “nós” é conceito raso, rasteiro,que tenta reproduzir, em nivel nacional, a histórica incapacidade de setores que se autodenominam de “esquerda”, quando, na realidade, são capitalistas de estado,ávidos por poder e riqueza material.

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