A lógica da escolha dos vices foi invertida no Pará

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Desde a campanha de 2002 ao governo do Estado do Pará, sempre se fez presente nas chapas que foram ao segundo turno ou que polarizaram a eleição, um nome das regiões Sul, Sudeste e Oeste. Com o crescimento do discurso da divisão territorial; com a possibilidade de criação de novos entes federativos no território paraense, que culminou com o plebiscito, em 2011, que a disputa pelo Palácio dos Despachos incluía lideranças políticas das regiões mais afastadas da capital. Seria aos candidatos majoritários a possibilidade de buscar votos e validar o discurso de integração regional, historicamente negada por parte do governo estadual aos rincões paraenses.

Em 2014, por exemplo, ainda sob influência dos rebatimentos do plebiscito, Simão Jatene e Helder Barbalho escolheram os seus vices do Sul e Oeste do Pará, cristalizados em Zequinha Marinho e Lira Maia. Em termos de retorno eleitoral, na época, ambos se mostraram limitados. A escolha por Marinho foi uma tática de Jatene para diminuir a sua rejeição no sul do Pará, região que criou grande ojeriza ao tucano por conta do seu posicionamento favorável a Belém no plebiscito. Helder (em um dos seus grandes erros de campanha) escolheu Maia, político que respondia a inúmeros processos e que já estava – naquele momento – em franco processo de decadência política, o que foi confirmado na prática nos anos seguintes.

O ano corrente e a disputa eleitoral, apontavam a continuação no processo de escolha dos vices. Seguindo a lógica, Helder e o candidato que Jatene escolheria (hoje conhecido como Márcio Miranda), deveriam indicar para seus vices, lideranças políticas do Sul, Sudeste e Oeste do Pará. A lógica foi invertida. Helder optou por alguém que tivesse como base eleitoral a Região Metropolitana de Belém (RMB) e o Nordeste paraense.

A escolha por Lúcio Vale – conforme escrevi na semana passada – é uma tática eleitoral de Helder. O referido deputado federal será o “salvo conduto” ao candidato do MDB na proximidade da capital, reduto que Helder possui maior rejeição e que foi decisivo para a virada no segundo turno que culminou na sua derrota, em 2014.

A lógica seria que o nome na chapa de Miranda viesse do Sul, Sudeste ou Oeste. Nada disso ocorreu. O escolhido depois de muitas reviravoltas, negações e balões de ensaios, foi o ex-chefe da Casa Civil, José Megale, de base eleitoral na RMB e no Nordeste paraense (levando em consideração a eleição de 2010), assim como Lúcio Vale, vice de Helder. Portanto, Miranda e abdicou de ter alguém em sua chapa que pudesse ser o seu “escudo”, a sua retórica em relação ao abandono que o governo que defende e representa impõe aos rincões paraenses. 

Quando as regiões Sul, Sudeste e Oeste tinham a prerrogativa de indicar seus representantes ao segundo posto mais importante na hierarquia da política estadual, passava a superficial percepção ou a esperança – por ter um representante no alto escalão de governo – que as referidas regiões poderiam esperar mudanças. E agora, na atual disputa, os vices estão concentrados nas proximidades de Belém. O que esperar de quem vencer a eleição? Novamente a promessa ficará só no discurso? O que de novo (no plano teórico – que será apresentado no planejamento de governo) sairá – de fato – do papel?

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