A montagem do governo Bolsonaro

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Como de praxe, o dia seguinte ao término da eleição presidencial, teve início o processo de articulação para a composição do novo governo. Alguns nomes já estavam definidos antes mesmo do fim do processo eleitoral. O economista neoliberal Paulo Guedes, chamado “posto Ipiranga”, em referência a total dependência que Bolsonaro tem em relação ao citado na área econômica, assumirá um super-ministério, que unificará Fazenda, Planejamento e Comércio e Indústria. Na articulação política e gerencial da máquina, o escolhido foi o deputado Onyx Lorenzoni, que comandará a Casa Civil, exercendo, portanto, o segundo posto mais importante na estrutura do Governo Federal, levando em consideração a estada do presidente no cargo. Na sequência foram anunciados o ex-astronauta Marcos Pontes para o  Ministério da Ciência e Tecnologia; General da reserva Augusto Heleno para a Defesa e Magno Malta para o possível Ministério dos Direitos Humanos (ou da Família como se cogita chamar).

Na última quinta-feira (31) foi anunciada a indicação mais polêmica, o juiz mais famoso do Brasil, que comanda a Operação Lava Jato, Sérgio Moro foi convidado (o que soube-se depois que o convite já havia sido feito durante a campanha) pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça, área que deverá integrar também a pasta da Segurança Pública.

Já na campanha, Jair Bolsonaro declarou que o seu governo seria composto por “notáveis”, ou seja, serão escolhidos seguindo critérios técnicos, além dos pré-requisitos necessários para gerir uma determinada pasta ou área. Do ponto de vista político, as escolhas estão repercutindo bem, sobretudo, a de Moro, simbolo do combate à corrupção, uma das bandeiras que Bolsonaro sempre levantou. Por outro lado, o aceite do juiz levantará muita polêmica sobre a sua já questionada atuação no caso da condenação do ex-presidente Lula. Tudo porque, inegavelmente, Moro interferiu indiretamente (ou se preferir diretamente) no processo eleitoral, tendo em conta, que suas decisões beneficiaram um lado em detrimento a outro.

As circunstâncias do convite do juiz de Curitiba são parecidas com o agora ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que antes de ir para a Suprema Corte brasileira, passou alguns meses como ministro da Justiça. No referido fato da indicação de Moro, esse processo poderá se repetir; ele será mais demorado, haja vista, que o decano do STF, o ministro Celso de Melo se aposentará só em 2020. Ou Moro seguirá o caminho político, abandonando de vez a magistratura? Bolsonaro já afirmou que não pretende disputar a reeleição, e que trabalhará para que ela seja extinta da política brasileira. Assim sendo, especulações podem surgir sobre 2022.

Sem perder tempo, no processo de transição entre o atual e o novo governo há diversos pontos em comum. O maior deles é a reforma da previdência, assunto que o futuro super-ministro Paulo Guedes tratará de forma emergencial a referida questão. Ainda há muita especulação sobre o formato do governo Bolsonaro, a começar pelo seu tamanho, que parece ser redefinido através das fusões entre pastas e uma nova reorganização institucional. A Social Democracia brasileira já era, pelo menos pelos próximos quatro anos. Período este em que a Direita dará as cartas.

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