A violência sem controle e a disputa eleitoral ao governo do Pará

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O estado do Pará atravessa um dos piores momentos no que diz respeito a sua intermitente crise na segurança pública. O governo estadual demonstra claramente a sua incapacidade em resolver o problema, pelo menos, amenizá-lo. Só para ficar na análise restrita a capital, dezenas de chacinas ocorreram em um intervalo de dois anos (período mais crítico). A morte de policiais quase sempre é o estopim para uma onda de carnificina que ocorre pelas ruas de Belém, em especial nos bairros periféricos, caracterizados como “zona vermelha”. O ano corrente promete atingir o recorde de baixas em números de agentes da segurança pública. Estamos em abril e 19 PMs já perderam a vida. Em 2017, 28 policiais militares foram  assassinados. No ano anterior, em 2016, 23 foram a óbito. Em 2015, 19 perderam a vida. Portanto, tudo indica – infelizmente – que 2018 será o ano de maior baixa na tropa. 

Um poder paralelo, liderado por facções criminosas, além de grupos de justiceiros conhecidos como milicianos, já é reconhecido pelas autoridades policiais. Neste cenário de guerra urbana, o Estado, via a sua Secretaria de Segurança Pública, mostra-se incompetente no combate à violência. O PSDB governa o Pará por duas décadas, 16 anos ininterruptamente. E nesse período a violência no Pará sempre esteve fora de controle, com poucos períodos de “normalidade” (quando os índices de violência, sobretudo, os de homicídios tiveram queda momentânea).

Se for estendida a análise para outros municípios do interior, sobretudo, os centros regionais, o cenário não é diferente. O caos predomina. Não há efetivo suficiente das polícias Civil e Militar para a promoção do combate efetivo ao crime em suas diversas faces. Segundo o Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2016, o Pará tem a sexta maior taxa de homicídios do país, com 42,6 vítimas por grupo de 100 mil habitantes. A violência e a impunidade dos crimes assustam a população. Com os elevados índices de homicídios registrados nos últimos 365 dias, no próximo balanço o Pará deverá se posicionar entre os três primeiros entre todos os entes federativos.

Primeiramente, Jatene precisa aceitar a sua derrota em segurança pública, na sua desastrada política para o setor, tão ruim que manteve no comando, por três infindáveis anos, um cidadão sem qualquer aptidão e conhecimento para a função, o general Jannot. E, agora, recoloca no posto quem o deixou, imediatamente antes do general, com saldo negativo, Luís Fernandes, que recentemente disse publicamente uma frase infeliz: “de que se sente seguro em Belém”.

Dentro da impressionante inércia que o governador mantém em relação ao caos, o seu principal adversário político, o agora ex-ministro Helder Barbalho (MDB) começou a agir (postura que vem tomando desde o ano passado, quando ainda era ministro e Belém sofria com sucessivas chacinas). Na ocasião, Helder entregou ao então titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, ofício solicitando a presença da Força Nacional no Pará. Em seguida, em reunião com o então ministro da Defesa, Raul Jungmann, pediu o apoio do Governo Federal no combate à grave crise de segurança no Pará. Na época, Simão não aceitou qualquer ação prática de Brasília.

O cenário se repete. Helder Barbalho (agora sem o status de ministro) esteve novamente em Brasília solicitando a presença Federal no Pará. Novamente Jatene não permitiu. Afirmou que tudo “está sob controle”. Na verdade, o governador sabe que se permitir a ajuda federal na área, estará assinando de vez o seu atestado de incompetência. Isso em ano eleitoral seria um desastre. Seus adversários políticos iriam usar bem na campanha tal suporte federal.

Por outro lado, Helder, agora como cidadão comum e pré-candidato ao Palácio dos Despachos, segue fazendo política. Estrategicamente inicia discursos, ações e usa bem o seu poder de comunicação através de inúmeros veículos que a sua família possuí para desgastar ao máximo a imagem da gestão de Simão Jatene. E de quebra, transferir essa incompetência ao candidato palaciano, Márcio Miranda.

A cúpula do Palácio dos Despachos já iniciou a réplica aos ataques e acusações. O forte marketing e peças de publicidade já estão nas ruas, mostrando os investimentos e ações que foram e estão sendo realizadas no combate à violência (levando em consideração o levantamento da jornalista Ana Célia Pinheiro e postado em seu blog, desde 2011, até o fim do ano passado, quase 350 milhões de reais foram gastos por Simão Jatene em propaganda. Montante maior do que foi gasto na área de segurança pública no mesmo período).

Em meio a tiroteios, mortes ao varejo, chacinas, clima e cenário hollywoodiano de faroeste, Jatene e Helder continuam o seu incessante duelo político, potencializado pelo ano eleitoral.  Em meio à disputa de poder, o Pará continua ostentando lamentáveis índices sociais, atrelados à uma violência galopante. Até quando?

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