Ciro Gomes: entrevista à Globo News e o cenário eleitoral

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O programa “Central das Eleições” promove sabatina com os principais presidenciáveis no canal Globo News. Na edição de ontem (01), o convidado foi o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Com nove entrevistadores: Mirian Leitão, Valdo Cruz, Merval Pereira, Andréia Sadi, Fernando Gabeira, Gerson Camarotti, Mário Sérgio Conti, Cristina Lôbo e Roberto D’Avila; o programa imita o formato do Roda Viva, da TV Cultura, com uma bancada em círculo, margeando o convidado em posição de destaque ao centro (com a diferença que o programa global, a roda não se fecha).

Grande parte do tempo, incluindo todo o primeiro bloco e parte do segundo; o ex-governador cearense teve que responder a perguntas sobre o seu temperamento. Velhas retóricas sobre conflitos, falas e posicionamentos, que muitas das vezes poderiam ser evitados pelo mesmo; não permitindo fornecer aos adversários artilharia ou tirar o foco do principal: a sua capacidade e preparo.

Na outra metade do programa – por cobrança indireta do entrevistado – se debateu o que mais importa ao país: propostas e projetos. Diversos assuntos estiveram na pauta; em especial a questão econômica (assunto que Ciro domina e consegue discorrer de forma convincente).

Independente de gostar ou não do presidenciável do PDT, é justo reconhecê-lo como o mais bem preparado entre todos os candidatos ao Palácio do Planalto. Ciro não emplaca porque está “estrangulado” politicamente. Nunca conseguiu ser um nome forte no campo esquerdista e provoca ojeriza no eleitorado que se posicionam mais à Direita.

Na eleição de 2018, com as circunstâncias da prisão do ex-presidente Lula e o seu esperado impedimento de concorrer; Ciro lançou-se na esperança de herdar a maioria dos votos petistas, além de ter tido a esperança – não de ser o candidato de Lula – de, pelo menos, ter o apoio indireto do ex-presidente, mesmo que fosse em uma composição política mais favorável ao PT. Pelo contrário, Gomes tornou-se um alvo dos dirigentes petistas e claro de Lula; o personagem que determina – mesmo preso – todas as decisões de sua legenda.

Conforme escrevi recentemente, Lula é por seu perfil, um personalista nato. Em toda a sua trajetória como presidente de honra do PT, nunca permitiu que alguém internamente pudesse lhe ofuscar, mesmo no campo à esquerda, espectro que sempre foi monitorado – por Lula – o crescimento de outro nome fora do seu limite partidário. A escolha de Dilma Rousseff, em 2010, para concorrer à presidência – em parte – confirma tal tese.

De acordo com o que escrevi na semana passada, cristalizado no texto: “Ciro Gomes ficou pelo caminho”, o pedetista sabe que a sua situação eleitoralmente falando é crítica. O seu isolamento, reflexo de sua postura e das estratégias políticas de Lula e de diversos partidos, o torna praticamente fora do 2º turno. Em política, nem sempre o mais bem preparado é o vencedor ou consegue ter a simpatia da maioria.

Em meio a diversas crises, o Brasil precisa – neste processo eleitoral – ir muito mais além do que a dialética recheada de “frases feitas”, de soluções via “varinha de condão”, da apologia à incompetência e de políticas “mais do mesmo”, que alicerçam o discurso alguns candidatos. O país caminha para o abismo e sem a percepção do pior que possa estar por vir por parte da maioria do eleitorado. 

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