Com a palavra final: Zequinha Marinho

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Os agentes do tabuleiro político paraense começam a voltar-se para outro ator, deixando agora o governador Simão Jatene fora dos holofotes, pelo menos, por enquanto. Não que o mandatário estadual deixou de ser importante, pois a palavra final do processo de sucessão estadual depende dele, mas não unicamente como se poderia pensar.

As atenções e – para uns, apreensão – estão sobre o vice-governador Zequinha Marinho. Para que as pretensões e estratégias políticas de Jatene com seus aliados possam dar certo ou tenham êxito, dependem da conformidade de Marinho. A questão é simples: Jatene deverá se descompatibilizar do cargo de governador em abril, dentro do prazo da Justiça Eleitoral, e deseja que seu vice também deixe o cargo. Para isso, oferecia a Zequinha uma cadeira em algum tribunal de contas.

Segundo informações que foram divulgadas no último final de semana em Belém, o vice-governador em conversa com Simão foi claro: “não deixará o governo”. Pelo contrário, afirmou que irá assumir e disputará à reeleição. Essa decisão derruba qualquer acordo que esteja sendo costurado por Jatene e fecha as portas para outras pré-candidaturas que estão sendo analisadas pelo governador.

Se Zequinha cumprir o que vem falando, a disputa eleitoral deverá ter outros contornos e uma base governista fragmentada, o que seria péssimo para a manutenção do atual grupo político no poder. Essa crise interna de candidaturas ocorreu em 2014 para o Senado Federal. Da base governista tinham três nomes. O resultado foi a vitória acachapante do petista Paulo Rocha, que ocupou sozinho um amplo campo político-ideológico. No plano estadual, a fragmentação da base governista pode criar um processo autofágico, fortalecendo político-eleitoralmente Helder Barbalho. 

Por outro lado, o manual político ensina que decisões pessoais ou suas confirmações devem seguir diversas etapas, tendo a sua culminância na hora certa. Zequinha prefere deixar o processo de escolha pessoal indefinido, medida para se manter no centro e valorizando ao “máximo” o seu passe. Assim, Jatene terá que dividir com ele o protagonismo do processo.

Conforme afirmei em outros textos, Simão terá um grande desafio pela frente. Não só o de construir acordos que possam contemplar diversos interesses, dentre eles o seu próprio: o de ser senador. E por tabela manter o seu grupo no comando da política estadual paraense. Mas convencer o seu vice, Zequinha Marinho, a abrir mão dessa possibilidade de ser governador temporário e ter a poderosa máquina estadual a sua disposição não será nada fácil.

Se Marinho levar à frente o que vem afirmando, poderá ser um candidato ao governo sem o volume de apoio político necessário, especialmente de Jatene e do clã tucano que ficou impossibilitado de concorrer pela persistência de se manter no cargo do vice. Simão poderá costurar acordo com o seu vice para que o referido assuma o governo (tenha o gosto de ser o governador por oito meses), mas não concorra à reeleição.

Penso que Zequinha não terá condições políticas de disputar a reeleição. Resolveu não aceitar as propostas e condições de Jatene para não ser jogado ao ostracismo ou ser “peça” sem importância no jogo político. A decisão de Marinho mantém o cenário incerto, com vários meandros e o ninho tucano alvoroçado, assim como alguns agentes políticos tensos da base governista.

Enquanto a operação Lava Jato não avança no Pará, Helder Barbalho, de Brasília, na condição de ministro de Estado vem pavimentando diariamente o seu caminho ao Palácio dos Despachos. Por enquanto, todos no ritmo do vice.

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