Criador x Criatura: o autofagismo do PSD

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Deixando o eufemismo linguístico que se faz presente no título deste texto, o que seria canibalismo político? Trata-se de um termo muito expressivo e que utilizo para descrever o processo político atual em Parauapebas, em que se configura o principal grupo de oposição ao prefeito Darci Lermen. Esse ajuntamento é composto por agentes do PSD e PSDB, com alguma presença do DEM (dentro do espectro ideológico à Direita). Foi o que sobrou depois da cooptação feita – ainda no período eleitoral – por Lermen e seu grupo. Em seu governo orbita 16 legendas partidárias.

Não era novidade para esse blogueiro e muito menos aos que acompanham a política da “capital do minério”, que ao fim do processo eleitoral, o PSD, principal partido de oposição (hoje) estava rachado. Essa questão foi inclusive confirmada pelo deputado estadual Gesmar Costa a este que vos escreve, por ocasião de uma entrevista recente concedida ao blog pelo referido parlamentar.

Internamente o Partido Social Democrático, em Parauapebas, se dicotomizou-se em dois grandes grupos: os apoiadores do ex-prefeito Valmir Mariano; e de outro lado, o grupo do deputado Gesmar Costa. Durante a gravação, Costa deixou claro ao ser perguntado sobre a relação com o ex-prefeito, que tudo anda bem, pelo menos, segundo ele, na relação pessoal entre ambos. A questão central é a incompatibilidade de interesses políticos. Mariano sustenta a tese que será candidato a deputado estadual; e Costa a sua posição de disputar a reeleição. Configura-se, portanto, um autofagismo político-eleitoral. Ambos disputam o mesmo nicho de votos, mesma legenda.

Na teoria, Valmir Mariano teria maior densidade eleitoral e perspectiva de voto que Gesmar. Hoje o maior cabo eleitoral do ex-prefeito Valmir é a desastrosa gestão que Darci vem fazendo em Parauapebas. Essa comparação é altamente favorável em termos eleitorais ao empresário, não só agora, em 2018; mas para quem sabe, 2020.

Gesmar está no exercício do mandato, portanto, tem todo o direito de disputar a reeleição. Todavia, há um “nó”. Até o momento não existe saída por um “plano B”, ou uma decisão que busque pacificar o partido. Internamente seus militantes sem digladiam-se com desdobramentos exógenos, ou seja, o racha é público. Inclusive com trocas de acusações entre os referidos grupos. Resquícios de uma conturbada campanha com a consequente derrota nas urnas, em 2016. 

Segundo o colunista Mário Machado do site Mais Oeste: “Em política, todos os anos, em todos os pleitos vemos estas cenas se repetirem, pois os Criadores apresentam suas Criaturas como àqueles que irão dar continuidade a sua obra e, a Criatura se volta contra o Criador e o rejeita, até como forma se descolar da imagem do mesmo. É diferente da relação de um pai com o filho e vice-versa”.

O mais interessante neste contexto é quando Criador e Criatura são postos frente a frente em uma disputa. Um não pode ou não deveria falar sobre o outro uma vez que detém os direitos da criação em si. O outro por sua vez, no curso do tempo, descobriu quem em verdade era o seu Criador. Aproveitando o momento de Copa do Mundo, parece com aquela cena do artilheiro e goleiro, ambos vendidos (na pior forma possível) e um diz para o outro – Faz o gol (goleiro) – Defende o gol (artilheiro), não podem, ambos estão rendidos ou vendidos.

Nesse autofagismo interno do PSD, a criatura se confunde com o criador e vice-versa. Melhor para o prefeito Darci Lermen que a oposição esteja conseguindo ser pior do que a sua gestão. É um alento no conturbado Palácio do Morro dos Ventos, pelo menos, por enquanto.

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