Da crise na Petrobras à paralisação dos caminhoneiros. O Brasil sem rumo

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A paralisação nacional dos caminhoneiros completou hoje (24), quatro dias. Diversos setores econômicos enfrentam dificuldades com a falta de abastecimento de combustíveis. Todo esse processo tem sua raiz, ou, pelo menos, sua fomentação na política de preços adotada pela Petrobras, a partir de 2016, quando iniciou o governo Temer. A Petrobras começou a definir o preço dos combustíveis levando em consideração a variação do preço do petróleo e do dólar no mercado internacional.

A referida estatal em face ao desmoronamento de seu patrimônio e consequente perda de mercado, além da baixa liquidez, buscou – nessa nova política comercial – oxigenar o seu caixa, recuperando o seu patamar mínimo financeiro.

Antes, no governo de Dilma Rousseff, a variação dos preços internacionais era repassada de forma defasada aos valores praticados no país; um mecanismo usado para tentar segurar o aumento da inflação, mas que, por outro lado, sobrecarregava o orçamento da Petrobras, que comprava mais caro lá fora, e precisava cobrir a diferença, para manter os preços mais baixos no mercado interno.

Os críticos à época, acusavam o governo de usar a Petrobras como instrumento de política macroeconômica para controlar a inflação. Agindo assim, o governo evitava que a elevação do preço dos combustíveis se disseminasse pela economia afetando os outros produtos que dependem diretamente de transporte rodoviário e de insumos derivados do petróleo, segurando assim a inflação geral. Os dirigentes do governo petista sabiam disso. O ápice desse processo de contenção do preço interno, ocorreu em 2014, ano de disputa eleitoral, em que o desempenho econômico, sobretudo, a inflação e o nível de empregabilidade, são fatores decisivos no voto.

Em junho de 2016, Pedro Parente foi empossado como presidente da Petrobras. Imediatamente  implementou as referidas mudanças. A proposta era que os reajustes seriam realizados uma vez a cada trinta dias. Essa política funcionou sem maiores questionamentos por um ano (período em que os preços foram reajustados de forma espaçada e em baixos valores). Mas em junho de 2017, estava claro que a Petrobras já não conseguiria manter a política de reajuste no modelo atual, passando a fazê-lo a qualquer momento; podendo ser diário, caso necessário. Isso ocorreu pelo aumento da cotação mundial do barril de Petróleo, em 2017. Os sucessivos reajustes elevaram os preços finais (o cobrado “na bomba”) o que tornou inviável a manutenção – no caso dos caminhoneiros – do serviço, pois o reajuste do frete já não cobria os custos, além da subida geral de preços, haja vista, a dependência nacional do modal rodoviário (o mais caro), criando um efeito cascata. 

Essa greve nacional é a demonstração do caos social, político e econômico que o país atravessa. Uma sociedade sem rumo; uma classe política inerte, sem propostas e sem saber o que fazer. Um Estado usurpador, que necessita urgentemente ser reformado, mas sem transferir mais responsabilidades ou custos para o cidadão, e sim transitando para uma máquina pública mais eficiente, menos burocrata, e, sobretudo, fazer valer a manutenção democrática.

Conforme venho afirmando desde 2016, a conta do impeachment, da quebra do regime democrático, é muito alta, e ainda não foi pago. Faltando cinco meses para a eleição presidencial, o futuro do país ainda é incerto. 

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