Eleição presidencial: o Centro em xeque

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Historicamente a eleição presidencial no Brasil desde o processo de redemocratização, a partir de 1985, até a última eleição, em 2014, o campo político ao centro sempre venceu a disputa, claro, com esse centro com direcionamento mais à esquerda ou à direita, dependendo do partido ou grupo de poder.

Desta forma, o PSDB venceu duas eleições (1994 e 1998), sustentando-se no discurso e perfil da social democracia europeia (o que no campo programático logo se mostrou bem à direita, com programas de privatização e a política do Estado mínimo, na onda neoliberal que tomou conta da América Latina no início dos anos 90).

O PT chegou ao poder em 2003, já com novo perfil, menos radical e mais ao centro. Surgia – portanto, naquele momento – o “lulinha paz e amor”, com a mensagem agregadora: ampla assistência social, interesses nacionais e contemplando o mercado financeiro, incluindo a manutenção de sua política especulativa. Portanto, assim como, o PSDB que nasceu com o viés mais direitista, logo se posicionou mais ao centro, tática usada também pelo PT, mas em direção ideologicamente inversa aos dos tucanos.

A massa eleitoral brasileira em sua maioria (algo em torno de 75%) segundo dados de pesquisas qualitativas realizadas por diversos institutos, votam em candidatos de posicionamento centrista, com leve convergência para os lados. O restante se divide entre as extremidades à esquerda e à direita.

As recentes pesquisas referentes ao atual processo eleitoral que se aproxima, apontam mudanças nesse macro perfil do eleitorado de centro. A operação Lava Jato atingiu em cheio à classe política situada no expecto centrista. Quando não atingiu diretamente (nominalmente) políticos, alcançou agentes ligados a muitos deles, portanto, causando desgaste de nome e imagem. Fora desse vendaval de investigados e acusados estão os agentes políticos nas extremidades do expecto político-ideológico.

Isso explica, em parte, a liderança de Jair Bolsonaro nas pesquisas (sem a presença de Lula). Os institutos de pesquisas analisam o posicionamento do eleitor quando se trata de corrupção. Já se sabe, por exemplo, que o eleitorado estará mais atento a questão de um candidato ser “ficha limpa”, se responde ou não a processos, etc. Aos que estão envolvidos, pelo menos em etapa investigatória, o eleitor – segundo pesquisas – tende a não votar, ou, pelo menos, não indica intenção de voto, quando perguntado.

Portanto, em termos criminais, a operação Lava Jato tendenciou para determinados agentes políticos de alguns partidos em detrimento a outros; mas no que diz respeito à questão eleitoral, atingiu mais aos partidos de centro-direita, como o PSDB, DEM, MDB (com o PT sendo o único a sofrer desgaste no campo esquerdista) etc. Hoje a grande mídia não tem um nome. O seu preferido, Geraldo Alckmin, não decola e parece que não conseguirá chegar nem no segundo turno.

A esperança de frear o centro-esquerda é Bolsonaro, em último caso, para a grande mídia e o mercado financeiro. Portanto, pela primeira vez desde o processo de redemocratização do país, poderemos ter uma disputa presidencial (com ressonância nos estados e parlamentos) com o centro menos protagonista, e as extremidades tendo maior visibilidade. No país da corrupção institucionalizada, poucos se salvam. Claro que isso precisa ser combinado com o eleitor.

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