Eu, quero ser governador!

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Os bastidores políticos da capital do Pará fervem. A temperatura subiu por conta da novela que se tornou-se a sucessão do governador Simão Jatene. O mandatário da política estadual virou a peça chave do tabuleiro eleitoral. Simão tem um leque de opções para a sua cadeira. São pelo menos seis nomes. Quatro de seu partido e dois de fora, mas da base governista. Neste cenário de incertezas, duas questões claras que já se tornaram óbvias: Jatene não continuará como governador e já definiu a sua candidatura ao Senado Federal. O restante é especulação e jogo político.

Esse cenário poluído, de pouca visibilidade, não é novidade na política paraense. Em comparação mais recente, tivemos o caso de Jader Barbalho, em 2010. Na ocasião, o Barbalho não definia – naquele momento – qual rumo seguir. Se manter-se-ia em Brasília ou tentaria o governo do Pará, disputando a eleição contra Simão Jatene e a governadora Ana Júlia, que tentava a reeleição. Quatro anos antes o PMDB foi um dos principais responsáveis pela vitória petista nas urnas, mas logo romperiam. Jader controlou ao máximo o tabuleiro político. Ele definia o ritmo e como os acordos seriam firmados. No final concorreu ao Senado e apoiou os tucanos na derrota acachapante de Ana Júlia.

Em 2013, ano que antecedia mais uma disputa eleitoral, Jatene, à época enfrentava muitos problemas de saúde, com recomendações médicas para que não enfrentasse uma disputa eleitoral, portanto, abandonasse o projeto de reeleição. Simão postergou o quanto pode a decisão. Primeiro a de concorrer; segundo caso não fosse ele o candidato, quem seria? Na época o seu vice-governador era o santareno Helenilson Pontes, que tinha total confiança do governador, começou a ter o seu nome ventilado nos quatro cantos do Palácio dos Despachos. Jatene estava – caso não pudesse concorrer – a escolher o seu vice para lhe substituir no comando do Estado.

O ex-governador Almir Gabriel (in memorian), sempre afirmou que Jatene não era um homem de partido. Portanto, suas decisões poderiam não levar em consideração seus pares. Sabendo disso, iniciou uma verdadeira rebelião dentro do ninho tucano para a sucessão do governador. Liderados pelos prefeitos de Belém e Ananindeua, Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro, respectivamente, um movimento que force Simão a escolher um nome dentro do PSDB. Isso ocorre justamente porque o nome do presidente da Alepa, Márcio Miranda, começa a despontar como favorito. Miranda é da base, mas de outra agremiação partidária, o DEM. Dentro do receituário político soa estranho a possibilidade de abrir mão da vaga do partido para escolher alguém de fora. Mas por seu perfil, Jatene não teria esse problema de escolher uma opção fora do ninho tucano. Seu primeiro objetivo será o Senado, nem para que isso coloque em risco a continuação do projeto de poder do PSDB.

A rejeição a Zenaldo é algo impressionante. A avaliação de sua gestão é a pior possível. Isso pesa muito na escolha de Simão. Se Coutinho estivesse bem avaliado – pela ordem natural do processo – deveria ser o escolhido. Primeiro por ser o prefeito da capital. Segundo por já está em seu segundo mandato, sem a opção de reeleição. Se Pioneiro for o escolhido, o município de Ananindeua será o centro da disputa eleitoral ao Palácio dos Despachos. A referida municipalidade foi governada pelo tucano (que retornou e já está em seu terceiro mandato) e por Helder Barbalho, que governou o segundo mais populoso município paraense por oito anos. Quem governou melhor Ananindeua? Essa, talvez, possa ser a pergunta chave para a disputa. Dentro do ninho tucano os figurões da legenda gritam: “eu, quero ser governador!”.

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