EXCLUSIVO: Entrevista com deputado estadual Gesmar Costa

Compartilhe nas redes sociais.

No último domingo (27) o deputado Gesmar Costa recebeu o blog em sua residência para um café-da-manhã, e na sequência conceder entrevista exclusiva ao referido veículo. Na ocasião, tratamos de gestão, mandato, pioneirismo, relação política, governo Valmir e o seu futuro político. Confira o que disse Gesmar Costa:

Blog do Branco: Deputado Gesmar Costa, como um goiano de São Miguel do Araguaia (GO) chegou ao sudeste do Pará, em 1982?

Gesmar Costa: Então… muito jovem, com um sonho latente nas veias de crescer, resolvemos sair do interior do estado de Goiás para o interior do estado do Pará. Tínhamos a vontade de conhecer a “Serra Pelada”. Chegamos em Curionópolis… Não entramos, pois não tínhamos autorização para entrar na área de garimpo, pois a Polícia Federal já estava fazendo o credenciamento, e só entravam aquelas pessoas cadastradas ou que eram garimpeiros de origem. Como não conseguimos, saímos de Curionópolis e viemos para Parauapebas. Então nós vamos trabalhar na Serra dos Carajás. Também não tínhamos autorização para entrar no projeto “Ferro Carajás” … E instalamos aqui na época o denominado “Inferninho”, hoje bairro Rio Verde. Foi essa a nossa saga, vindo do estado “do” Goiás para o estado do Pará.

Blog do Branco: Vamos dar um salto temporal… O senhor é formado em gestão pública. No governo Valmir Mariano o senhor foi o que chamamos de “coringa” na política… Presidiu o Saeep, foi secretário de Meio Ambiente e de Segurança Institucional. Teve um reconhecido trabalho nessas áreas. Quais ações o senhor destacaria?

Gesmar Costa: O Saaep, evidente que nós sempre gostamos de destacar… Assumimos o Saaep com deficiência em todas as áreas. Na época o município produzia 18 milhões de litros de água por dia, e esse volume tinha grandes perdas… Vazamentos, adutoras que se rompiam e o órgão arrecadava… Algo em torno de 230 mil reais por mês, só.  E em 15 meses nós elevamos essa produção para 42 milhões de litros/dia. A arrecadação atingiu um 1,2 milhão/mês e iniciamos os projetos macro para levar água a todos os cantos da cidade. O projeto era universalizar a água até o ano de 2016. Nesse período de 15 meses que tivemos a frente da autarquia, avançamos muito. Foi um período aonde a prefeitura teve condições de fazer bons investimentos. Foram investidos mais de 40 milhões de reais nesses 15 meses. O processo foi interrompido com a nossa saída para assumir o mandato de deputado estadual. Nós resistimos muito. Não queríamos isso. O projeto maior era universalizar a água em Parauapebas.

Outro trabalho que eu destaco também… Foi a nossa atuação na Secretaria de Segurança Institucional… Tivemos a oportunidade de instalar a Guarda Municipal, com 140 homens concursados. Avançamos muito na questão semafórica na cidade; na fiscalização eletrônica com radares; evoluímos colocando e aprovando um projeto de lei na Câmara, dando aos agentes de trânsito o risco de morte… Projeto de Lei que era um sonho para esses agentes. Eles recebem hoje um acrescimento de 50% em seus vencimentos. Colocamos também o auxílio fardamento que era um sonho dos agentes de trânsito. Então esses dois trabalhos a gente têm como satisfação, em ter conduzido essas duas pastas. Na questão do meio ambiente, avançamos bastante. Tanto é que Parauapebas está iniciando a construção do Centro de Gestão Ambiental, que foi uma negociação nossa junto à Vale e este governo (gestão Darci) está recebendo esse empreendimento, que já, inclusive iniciou a construção. A ideia é abrigar neste local todos os órgãos ambientais dos três entes federativos.

Blog do Branco: Ainda sobre o governo Valmir… O que deu errado? Por que uma gestão que deixou legados, sobretudo, em infraestrutura do município não se reelegeu?

Gesmar Costa: o erro foi mesmo a falta de gostar de pessoas. Eu acredito que foi um governo “frio”, um governo de muitas realizações de obras, mas frio de relacionamento humano. Nos perdemos neste sentido. Não posso apontar dedos… Acho que erramos… Todos… Porque não tem essa… Quando um governo é derrotado, derrota-se todo o projeto… Do pequeno ao macroprojeto. Então eu acredito que faltou gostar de pessoas…Faltou articulação política…Faltou valorizar partidos… Faltou reconhecer parceiros. Estes foram os grandes erros…O maior de todos foi o baixo viés social do governo do Valmir. Essa é a grande realidade. Porque se você avaliar as grandes obras…Feitas pelo Valmir, foram muitas. Qual aquela que beneficiou diretamente a população que mais necessita?

Eu costumo falar que uma das maiores obras que o Valmir conseguiu, que melhorou diretamente a vida das pessoas, foi uma obra que o município não gastou dinheiro com ela…Não fez investimento… Que foi justamente o incentivo na criação da Central de Cooperativas… Tirou aquelas vans, colocou o transporte público de qualidade. Este sim. Este a comunidade de baixa renda, aqueles que mais necessitam, foram beneficiados. Exceto este projeto, nós vimos assim: um investimento muito grande na parte viária… Mas a população de baixa renda mesmo, ela não se sente beneficiada com isso. Nós que temos veículos, o carro, a moto, diminuiu a incidência de acidentes, mas a população de baixa renda não se sentiu contemplada. A falta de viés social e a falta de trato com as pessoas, foram um dos grandes equívocos do governo Valmir.

Blog do Branco: Comenta-se que a sua relação com o ex-prefeito Valmir Mariano não é das melhores. Inclusive há um racha interno no seu partido (PSD). Isso procede?

Gesmar Costa: Não… O racha sim, mas a minha relação com o Valmir é muito boa. Eu digo que tem um racha no partido porque o partido dividiu-se em dois grupos e isso é natural. Mas acredito que nós vamos sair unidos no final disso tudo. Acredito que não se sustenta as duas candidaturas a deputado estadual, nós estamos argumentando muito que o partido deve vim com uma candidatura a federal. Eu estou no direito de uma reeleição, assim como o Valmir estava no direito de uma reeleição na candidatura de prefeito. Nós estamos conversando… Nós temos bastante afinidade… Temos liberdade para discutir isso… Inclusive a última vez que discutimos isso foi no sábado (19) aqui na minha casa, onde eu recebi o Valmir, recebi o futuro governador e presidente da Assembleia Legislativa, Márcio Miranda (DEM), o senador Flexa Ribeiro e discutimos muito isso. Então não tem esse problema de Gesmar e Valmir. Isso está pacificado.

Blog do Branco: O senhor ao fim deste mês completará 17 meses de mandato como deputado estadual. É reconhecido como um parlamentar bem atuante. Durante esse período quais ações o senhor destacaria que foram realizadas?

Gesmar Costa: Eu acredito que as mais de 40 leis estaduais que prepusemos e aprovamos, as vezes uma simples condecoração de reconhecimento a uma determinada pessoa… Então, Parauapebas passou a ser visto pelo parlamento paraense como uma cidade que tem sim uma boa receita, mas uma cidade com todos os problemas, como qualquer outra cidade no estado do Pará. Ao chegar na Alepa, percebemos e ouvimos de todos os colegas deputados que Parauapebas é uma cidade rica e que Parauapebas não precisa de nada. Então nós deparamos com seis obras do governo paradas e nós estamos retomando isso. Eu acredito que… Não gosto de falar de legado, não se trata disso… Eu costumo falar que estamos fazendo o dever de casa “direitinho”, mas eu acredito que dava para ter feito mais… Como daria para ter feito mais? Se não fosse essa distância geográfica de Parauapebas a Belém. Isso faz com que a gente perca um dia na semana, fazendo esse percurso.

Blog do Branco: Já virou até chavão que a região é abandonada pelo Estado, que falta representação política das regiões mais afastadas na Alepa, sendo isso um grande entrave… Tudo ainda é muito concentrado na RMB. Além do voto que pode mudar isso, dando maior consistência política as regiões mais afastadas da capital, de que forma se pode usar um mandato no parlamento para buscar alterar essa dicotomia territorial que existe no Pará?

Gesmar Costa: Descentralizando os poderes. O poder é muito centralizado em Belém. Exemplo disso é que estamos caminhando neste processo de descentralização. Iniciamos com a instalação de uma URE (Unidade Regional de Ensino) em Parauapebas. Saindo da 4ª URE de Marabá, e criamos aqui a 21ª URE. Para você ter uma ideia… A 15ª URE que era em Conceição do Araguaia… Ela também, geograficamente, atrapalhava muito as pessoas, os professores… Que moram em São Félix do Xingu, pois tinham que ir a Conceição do Araguaia, percorrendo 600 km. Então nós criamos, fizemos um pleito e fomos atendidos, criando a 22ª URE em Xinguara. Descentralizar os poderes, essa é a saída. Na última semana entrou um projeto de lei do governo, criando o cargo de juiz de terceira entrância para Belém, capital. Na oportunidade usamos a palavra na tribuna, e falamos que já entramos no Poder Judiciário com a solicitação de criarmos algumas regiões a terceira entrância. Parauapebas pleiteia isso também. Então, temos que descentralizar os poderes… Seja ele Executivo, Legislativo e Judiciário. Desta maneira eu acredito que iremos trazer o Estado para mais perto para as nossas regiões sul e sudeste do Pará.

Blog do Branco: Um dos principais problemas de Parauapebas é a sua localização geográfica com perfil “fim de linha”, o que inviabiliza, ou, pelo menos, dificulta economicamente o município. Como o senhor vem trabalhando essa questão e de que forma o seu mandato está atuando sobre esse assunto?

Gesmar Costa: Eu não considero Parauapebas “fim de linha”. Eu considero Parauapebas “início de linha”. Porque é daqui que saem as maiores divisas para o nosso município. Veja bem… O que acontece, Branco… A nossa região sul e sudeste do Pará, nós precisamos estadualizar algumas estradas, para que nós possamos integrar ao resto do Pará. Para você ter uma ideia… São Félix do Xingu a Parauapebas, você tem uma única via de acesso terrestre. Nós temos que estadualizar uma estrada para que a gente possa interligar duas BR… Ou seja, a 155 que liga Marabá a Conceição do Araguaia, interligar na 222 (Marabá a Dom Eliseu – rodagem no Pará), aí nós vamos interligar essas duas BR, fazendo de Parauapebas um entroncamento. Parauapebas deixará de ser “início de linha” ou “fim de linha” como algumas pessoas analisam. Então, São Félix do Xingu para você ter uma ideia, da sede de São Félix até o distrito de Tabocas, são 220 km. Mas tem uma outra estrada que é a 222 que pode interligar isso, diminuindo essa distância, passando dentro do projeto “Onça Puma” interligando a Ourilândia do Norte. Diminuir as distâncias. Então, nós estamos pleiteando junto ao Governo do Estado… Nós temos vários projetos indicativos de vários deputados, estamos condensando vários deles em um só projeto e estamos levando ao Governo do Estado, previamente acordado que se fará um projeto de lei, aonde nós vamos estadualizar aproximadamente 1200 km de estradas neste ano ainda. Entenda… Estadualizar não quer dizer que já será pavimentada, “asfalticamente” falando… Mas ela já pode receber a sua primeira pavimentação primária. Então, o caminho é esse, para diminuímos distancias, temos que estadualizar estradas, e transformar esse sul e sudeste do Pará mais viário.

Blog do Branco: Deputado, o que o eleitor da região, ou de todo o Pará de certa forma, mais especificamente em sua base eleitoral, pode esperar de um Gesmar reeleito?

Gesmar Costa: O mesmo afinco. A mesma “pegada”, vamos assim dizer. O que eu costumo falar é assim… Eu sou um servidor público temporário, eu não me preocupo muito com essa nomenclatura de deputado. Isso as vezes distancia e separa as pessoas. Eu sou um servidor público temporário. Essa primeira etapa desse temporário está vencendo agora, dia 31 de dezembro. Espero que a comunidade entenda isso e possa renovar esse contrato nosso por mais quatro anos. E pode ter certeza que a “pegada” será a mesma. Nós não temos vaidade com o cargo, a gente usa o cargo para ser um servidor público, e não se servir do público; e estamos abertos para receber as demandas. Eu costumo falar, Branco, eu nunca fiz um favor a ninguém na condição de servidor público. Fui funcionário da Prefeitura de Parauapebas e passei por quatro governos, e eu nunca fiz um favor para ninguém. Durante todo esse período, tudo o que eu fiz foi obrigação minha. Eu sou pago para isso. Então com o mandato de deputado a “pegada” é a mesma, e eu quero continuar prestando um bom serviço à comunidade, e eu acredito que ainda a gente tem muito a trabalhar para ajudar a desenvolver o nosso sul e sudeste do Pará.

Blog do Branco: O senhor tem pretensão de ser prefeito de Parauapebas? Como o senhor visualiza isso para 2020? Ou mais à frente, 2024. Isso está na cabeça do Gesmar?

Gesmar Costa: Não, não está. Mas também não está descartado, porque eu não tinha pretensão de ser deputado, e hoje eu estou deputado. Então na política a gente não pode falar muito essas coisas: “ah eu serei” ou “não serei”. Trabalho, focar no seu trabalho, faz o seu dever de casa direitinho que as coisas irão acontecer. Se tiver que ser prefeito de Parauapebas será uma honra. E nós não vamos fugir disso, mas não que eu estou trabalhando com este pensamento. O nosso trabalho neste momento é o de concluir o mandato bem; colocar a cabeça no travesseiro a noite e dormir tranquilo, sabendo que demos o máximo do nosso mandato. E assim vai ser o segundo mandato se a comunidade assim entender.

Blog do Branco: Deputado, obrigado pela oportunidade, por receber o blog para essa entrevista. Desejamos sorte o decorrer do mandato e no processo eleitoral.

Gesmar Costa: Eu agradeço você, agradeço a sua disponibilidade de em um domingo estar aqui fazendo essa entrevista conosco, é um prazer e uma honra conhecê-lo e desejar a você também sorte, porque competência você tem. Muito obrigado.

Agradecimentos: Gesmar Costa, Vicente Reis, Dilzzan Santana, Paulo Altenhofen e Danilo Freitas.

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*