Governo Darci: uma gestão “Laissez-faire”. Parte II

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“Fogo amigo” é uma expressão eufêmica utilizada militarmente no que tange os aspectos de ataques aliado a aliado, ou inimigo a inimigo. Tal expressão ganhou maior reconhecimento, pois nas guerras atuais, em que não existe tanto contato físico com o inimigo, a simples suposição de um alvo faz com que o soldado queira abatê-lo, antes que o inimigo o faça. Isso é a grande causa de vítimas aliadas em guerras.

A explicação acima é o entendimento stricto sensu do termo. A proposta deste texto é novamente voltado ao tema da postagem anterior, e buscar relacioná-lo ao tabuleiro político, neste caso, a gestão do prefeito Darci Lermen. Não é novidade que gestões públicas – independente de esfera – sofram ações do chamado “fogo amigo”, neste caso, ligado à disputa por espaços de poder dentro da estrutura governamental. Ou até mesmo interesses opostos dentro de um mesmo grupo político ou de governo, podem promover tal situação.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep) foi fundado em 2009, após a criação da Lei n° 4.385, de 11 de agosto de 2009, com o objetivo de desenvolver os serviços de saneamento na cidade de Parauapebas. É uma autarquia da administração indireta da Prefeitura Municipal de Parauapebas, cujo objetivo é promover os serviços de captação, tratamento e distribuição de água potável para a população do município. Teve o seu maior nível de investimento entre os anos de 2012 e 2013, tornando-se um pujante órgão público. Uma poderosa máquina política, desejada por muitos.

Talvez, por essa lógica, o vice-prefeito Sérgio Balduíno (PSB) na divisão de espaços na estrutura institucional da prefeitura, tenha solicitado a referida autarquia. Apesar das dificuldades de operação, o Saaep é um espaço político interessante (isso quando bem gerido, o que não é o caso). O objetivo seria o de ocupar a autarquia, agasalhar os correligionários do PSB, apoiadores e alavancar o nome do vice-prefeito para, quem sabe, uma disputa ao parlamento estadual no ano corrente.

Tudo dependeria da boa ou – pelo menos – regular gestão. O que, no caso do Saaep nunca aconteceu. Apesar da complexidade da autarquia, uma gestão razoavelmente competente e articulada deixaria o sistema funcionando. Bastaria só fazer o básico, sem plano de investimento, só manutenção da operacionalização. Nem isso. O que se acompanha é verdadeiramente apologia à incompetência.

Não há minimamente o cumprimento das obrigações financeiras próprias da autarquia. Sabe-se nos bastidores que a gestão do Saaep sempre recorreu ao socorro orçamentário da prefeitura. No plano operacional o ano de 2017 bateu o recorde de interrupções no abastecimento, sempre acompanhado de notas justificando (na maioria das vezes referindo-se à limpeza dos reservatórios e tanques). O estopim aconteceu nos últimos dias. A falta de insumos básicos do processo de tratamento interrompeu o abastecimento. Quase toda a cidade ficou desabastecida de água de dois a três dias, dependendo da localização. Erro primário e pior, sem comunicação prévia. Ou seja, errou duas vezes ou até três, haja vista, que a nota de justificativa ao problema demorou dias para ser emitida.

Conforme escrevi no último post, o governo Darci apresenta-se como uma reunião de feudos. A Saaep parece ser mais distante ainda do “núcleo de gerenciamento”. Deixa a impressão que se tornou um “corpo estranho” dentro da estrutura governamental. Não se trata de ser uma autarquia, ou seja, na prática é independente dentro do arranjo institucional, ligado diretamente ao gabinete do prefeito, mas parece que seus gestores não fazem questão de serem incorporados ao governo ou não fazem questão de seguir ordens, ou melhor, não serem governo.

A gestão da Saaep seria o que deu origem a este texto: “fogo amigo”? Teria como objetivo – nas entrelinhas – sabotar o governo? Mesmo sendo administrado pelo vice-prefeito, Sérgio Balduíno, o desastre que a Saaep vem sendo atinge diretamente a imagem do prefeito Darci Lermen. Água é um assunto sério e a sua falta causa muito transtorno e desgaste a qualquer gestão. O que já vem acontecendo. Darci estaria deixando acontecer “Laissez-faire” em sua gestão?

Não há mais o que esperar para intervir na Saaep. Mudando toda a sua gestão e debatendo uma nova forma de gerenciamento da referida autarquia. Já passou da hora de reorganizar espaços dentro da gestão, buscando assim acomodar o vice e seu grupo político em outra área, menos problemática e desgastante a imagem do próprio governo. Não se pode fazer apologia à incompetência. O custo político é muito alto, sobretudo, quando se trata de um insumo básico a todo ser humano: água.

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