Lula inicia marcha rumo ao Palácio do Planalto

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Ontem (19) o pequeno município de Monteiro, localizado no sertão paraibano, recebeu mais de 100 mil pessoas. Segundo o censo do IBGE a referida municipalidade é de pouco mais de 33 mil habitantes, situada no semiárido nordestino, ou seja, com nível crônico de abastecimento de água e problemas socioeconômicos comum aquela região.

O município foi escolhido como “ponto base” para a inauguração “popular” da transposição das águas do rio São Francisco. Projeto antigo, pensado desde a época imperial, e que foi iniciado no governo Lula e entregue agora. Na semana passada, sem apoio popular, o presidente Michel Temer iniciou a inauguração do macroprojeto em suas diversas etapas.

Ontem, Lula acompanhado da ex-presidente Dilma Rousseff, alguns governadores, senadores e deputados, transformaram o evento em um comício político-eleitoral. O ex-presidente deixou claro aos mais cem mil presentes ao evento que deverá concorrer novamente à Presidência da República. Caso não seja candidato, em 2018, será o principal e mais importante cabo eleitoral e que poderá apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Alguns analistas da seara política nacional afirmam que está se construindo uma chapa progressista, bem à esquerda, que seria formada por Lula, tendo Ciro como vice. Se o ex-presidente petista não for impedido de ser candidato, pelo seu perfil, deverá concorrer ao posto político mais importante do país. Novamente o PT manterá a extensa dependência ao seu principal fundador. Mais um desdobramento da batida discussão sobre o “lulismo” que se sobrepõe ao petismo.

Conforme abordei recentemente, Lula começa a aproveitar o cenário negativo que o país vive e a baixa popularidade de Michel Temer. Se coloca como a única alternativa para que o país retome o crescimento e volte aos patamares da época em que o ex-metalúrgico governava. A seu favor tem um importante componente na política: a saudade, a esperança.

O ex-presidente só esquece (talvez não, só não pode afirmar publicamente) que o PT tem muita responsabilidade sobre o patamar econômico desfavorável que o Brasil se encontra. Portanto, a tática de ser franco-atirador que Lula poderá assumir, deverá ser feita com cuidado.

Lula “esteve em casa”. Em seu principal reduto eleitoral, base de sustentação do projeto de poder do PT e do “lulismo”. O imenso contingente populacional para saudar o ex-presidente com certeza é um importante termômetro e deverá criar condições favoráveis a uma possível candidatura, em 2018. O tabuleiro político está sendo jogado e muitas peças serão movidas e alteradas. Fortes emoções ainda virão. 

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