O desafio em defender o “legado” Temer

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Desde quando assumiu o cargo político máximo do país, o presidente Michel Temer sempre negou ao ser perguntado se seria candidato à reeleição. Sempre deixou claro que teria a “árdua” missão, ou seja, a sua gestão assumiria o papel de promover a transição do país a um outro patamar, após as crises política e econômica.

Temer afirmava publicamente que o seu papel seria entregar o país ao novo presidente bem melhor do que recebeu. Para isso, teria a função “amarga” de promover as reformas necessárias; mesmo sabendo que isso teria um preço altíssimo para a sua popularidade (o que de fato – na prática – aconteceu). Mas que o desgaste público seria algo a ser considerado e menosprezado, haja vista, que estaria fora de qualquer disputa eleitoral, portanto, livre para tomar decisões que culminassem em medidas impopulares.

Mas o poder, ainda mais vindo de uma caneta presidencial, muda posições e discursos. Em março, o presidente concedeu entrevista à revista Isto É; e na ocasião afirmou que seria candidato à reeleição. Como justificativa deixou claro a defesa de seu “legado” (conjunto de ações realizadas em sua gestão), centradas nas reformas e na recuperação da economia.

À época afirmou que as ideias para apresentar ao eleitorado estavam condensadas em um programa intitulado “Ponte para o futuro 2”, em gestação por um grupo de intelectuais do MDB, e pela Fundação Ulysses Guimarães. Trata-se de uma versão atualizada da proposta apresentada quando ele era vice-presidente; com sugestões partidárias ao país, agora atualizadas e com novos direcionamentos, justamente com influência das ações do partido no comando do Palácio do Planalto.

Mas a sustentação do nome de Temer na disputa presidencial durou pouco. Foi suplantada pela auto-indicação de Henrique Meirelles, então ministro da Fazenda. Atualmente o ex-ministro configura no período de pré-campanha na “turma do 1%”, ou seja, nas pesquisas que foram divulgadas até o momento, o então nome definido como o representante do partido que governa o país, é um retardatário e sem expressão política. Isso ocorre claramente por dois motivos: a associação de seu nome a um governo impopular (isso para quem o conhece); por outro lado, o desconhecimento do eleitorado em relação ao seu trabalho e imagem.

Henrique Meirelles parece manter a sua candidatura como um “capricho” pessoal; como se quisesse incluir tal feito nos últimos capítulos de sua biografia. Sabe que não tem a mínima condição de chegar, por exemplo, ao segundo turno. Por outro lado, a manutenção de sua candidatura é a garantia de manter o MDB na disputa presidencial; fortalecendo a legenda para o que sabe fazer de melhor: vender apoio no segundo turno para o melhor colocado; mantendo-se no poder, independente de quem vença a disputa. O desafio de Meirelles (caso o partido mantenha candidatura própria pelos resultados pífios) é tentar sobreviver eleitoralmente como representante do governo mais impopular depois do processo de redemocratização do país. Quem se habilita a defender tal “legado”?

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