O “efeito Dória”

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João Dória, do PSDB, foi eleito prefeito de São Paulo para os próximos quatro anos no último processo eleitoral, em 2016. Quando foi divulgado o resultado final da apuração, o tucano obteve 3.085.187 votos, o que corresponde a 53,29% do total de válidos. Doria é o primeiro prefeito da capital paulista eleito em primeiro turno desde 1992, quando as eleições passaram a ter dois turnos.

Dois meses antes, o então candidato do PSDB ao terceiro maior orçamento público do país, não atingia 5% das intenções de votos nas primeiras pesquisas. Venceu de forma conturbada as prévias tucanas e foi escolhido nas urnas, em crescimento exponencial, a ser o novo mandatário da cidade de São Paulo. Foi – no início – um “tiro no escuro”, uma escolha arriscada, bancada pelo governador Geraldo Alckmin, contra a vontade de José Serra.

João Dória tem 58 anos, natural de São Paulo. É presidente licenciado do grupo Doria e do comitê executivo Lide – grupo de líderes empresariais. Dória foi secretário municipal de turismo e presidente da Paulistur nos anos 80. Ocupou ainda o cargo de presidente da Embratur. Se candidatou à prefeitura de São Paulo pela primeira vez.

Além de ser um empresário bem-sucedido com o perfil de “executivo moderno”, o prefeito de São Paulo sempre se apresenta como gestor e não político. Esse foi o seu mote de campanha. Em um período de descrença generalizada na classe política, Dória se colocou como uma opção fora do poluído espectro político, um ponto fora da curva. A estratégia foi bem recebida e o então candidato tucano subiu de forma estratosférica nas pesquisas, vencendo com folga em 1º turno.

Essa postura messiânica não é nova na política brasileira. Vez ou outra, nas franjas do sistema político-eleitoral, “messias” aparecem e prometem reformular a política. Primeiramente, negando a forma de fazer política e se apresentando ou prometendo mudanças na forma de gerir a máquina pública. Não, por acaso, que o novo prefeito da capital paulista cria personagens, estereótipos e fantasias. Além disso, imprime um modelo de gestão empresarial na grande engrenagem da prefeitura da maior metrópole da América Latina.

Desde o primeiro dia até agora (com menos frequência em comparação ao início) João Dória incorpora personagens. Se caracteriza e realiza funções de trabalhadores públicos braçais. De gari à pedreiro, passando por pintor, etc. É dessa forma que o mandatário da política paulistana se apresenta e se “vende” a sociedade. Mudanças práticas nestes três primeiros meses de gestão ainda não se percebem no dia-a-dia. Mas a pirotecnia de Dória continua.

E faz sucesso. Tanto que há forte movimento interno no “ninho tucano” para que o prefeito da capital paulista já se lance como candidato ao Palácio do Planalto, em 2018. Ou, pelo menos, ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo.

O governador Geraldo Alckmin já percebeu esse movimento e a pressão para que Dória deixe a PMSP em breve. Neste caso, como em muitos na política, a criatura parece superar o seu criador. Aguardem.

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