Percepções sobre o debate presidencial na Band

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Mantendo a tradição em promover o primeiro debate na corrida presidencial, a Rede Bandeirantes realizou ontem (09) o encontro dos presidenciáveis: Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, Henrique Meirelles e Cabo Daciolo, participaram do evento; dividido em cinco blocos alternados entre perguntas diretas entre os candidatos;  questionamentos de jornalistas selecionados a candidatos escolhidos, com o comentário de outro adversário escolhido pelo jornalista que perguntou; com o último no formato padrão, com as considerações finais dos candidatos. 

Em linhas gerais, o debate deverá ter pouca influência no tabuleiro eleitoral (pelo menos no atual momento de início). A disputa está no começo, sem ainda a força e influência do horário eleitoral, portanto, causa baixa ressonância ao eleitorado. Abaixo, de forma superficial, a análise do desempenho dos candidatos que participaram do debate:

Ciro Gomes

O candidato do PDT foi um dos mais apagados do debate. Entre os participantes, foi quem menos perguntou e respondeu. Claramente foi isolado por seus concorrentes, que preferiram evitar o confronto direto com o ex-governador cearense. A réplica de Ciro é reconhecidamente contundente, e tende a colocar o adversário em situação incômoda de treplicar. Conforme escrevi em alguns textos anteriores sobre a disputa presidencial, o candidato do PDT ficou pelo caminho. Sua situação eleitoral é delicada e dificilmente deverá crescer a ponto de ameaçar seus concorrentes mais diretos por uma vaga no segundo turno.

Geraldo Alckmin

O ex-governador de São Paulo foi um dos mais questionados e procurados pelos adversários para responder. Não foi encurralado nas questões referentes às denúncias de corrupção em suas gestões como governador de São Paulo. Teve que responder diversas vezes sobre o apoio que recebeu do “blocão” (conjunto de partidos de médio porte, em um total de nove, e que possuem a ampla maioria de seus dirigentes e parlamentares envolvidos em acusações de corrupção). O tucano – como esperado – sobre a questão do apoio do referido grande bloco parlamentar, sempre justifica que é consequência do sistema político (frisando o excesso de partidos); além da questão da governabilidade. De resto, reafirmou a sua plataforma neoliberal e de desburocratização (com a afirmação da flexibilização) do Estado brasileiro; finalizando com a defesa e continuação das reformas promovidas pelo atual governo.

Jair Bolsonaro

O candidato do PSL participou do seu primeiro debate; e da terceira aparição em confrontos diretos (antes do debate na Band, o deputado esteve nos programas Roda Viva e Central das Eleições, da TV Cultura e Globo News, respectivamente). Assim como nas duas aparições anteriores, Bolsonaro saiu ileso, sem “arranhões” ou qualquer situação que o colocasse “nas cordas” e lhe fizesse perder pontos. O deputado federal começa a derrubar a tese de que seria “destroçado” nos debates. Esse “obstáculo” que ele teria, começa a ser romovido facilmente pelo parlamentar. O seu maior desafio será a falta de exposição quando a campanha – de fato – começar com o início do horário eleitoral e seus oito segundos de tempo de TV.

Conforme analisei o debate em tempo real em meu Twitter, é perceptível a melhora de Bolsonaro. O candidato do PSL já começa a discorrer – mesmo superficialmente e com táticas de mudar o foco quando não sabe responder – sobre diversos assuntos (algo que ele não fazia antes). Claramente, isso é resultado do trabalho de sua assessoria. Bolsonaro ainda “escorrega” em determinados momentos, se perde em outros; mas isso está dentro do “planejado”, da sua “margem de erro”, monitorado por seus assessores. No debate de ontem, o capitão da reserva esteve calmo, sereno, respondendo em tom professoral as perguntas e questionamentos. Manteve a calma até quando foi provocado. Em um único momento em todo debate, reviveu o perfil mais truculento que tornou-se a sua marca e lhe projetou.

Insisto – e está claro – que a sua esperada “desconstrução”, se vier, não será mais por meio de debates. O que aumentam as suas chances de chegar ao segundo turno.

Marina Silva

A candidata da Rede, disputará a sua terceira eleição presidencial. Seu discurso e formato de apresentação, continuam os mesmos. Mantém um considerável volume de eleitores (quem vem diminuindo a cada eleição), mas não se apresenta em condições de ocupar uma vaga no segundo turno. Diferente de 2010 e 2014; Marina na atual disputa terá menos tempo de exposição, e a sua política de alianças naufragou; assim como o seu próprio projeto político, após fundar um partido, que não decolou. Mais uma, a exemplo de Ciro Gomes, que ficou pelo caminho.

Henrique Meirelles

O ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer que aparece nas pesquisas com 1% das intenções de voto, continua a ser uma candidatura sem nenhuma identidade ou ligação com o eleitorado. Sua comunicação é concentrada demasiadamente na economia (é o que resta ao candidato para se “vender” ao eleitorado) lhe distancia do público. Meirelles mesmo sendo candidato do MDB, partido do presidente Temer, evitou vincular a sua imagem ao do mandatário político da nação, em uma clara estratégia eleitoral. Quando tratou de sua atuação como agente público na economia, exemplificou-a no período do governo do ex-presidente Lula. Evitou referenciar o seu trabalho mais atual: ministro da Fazenda do governo Temer. Achou que a retomada do crescimento econômico (que não veio) seria o seu “carro-chefe” na campanha, o que a realidade e os números da economia, deixam o seu discurso sem sentido ou que possa ser o seu “cartão de visita” ao eleitor. 

Guilherme Boulos

Manteve a postura que o Psol vem defendendo desde quando começou a disputar eleições presidenciais, ou seja, uma plataforma política e de governo mais à esquerda. Deverá manter o espaço político do partido e a margem de votos que a legenda vem conquistando a cada eleição presidencial, com a diferença de promover cada vez menos a migração de votos petistas ao Psol. É um contraponto importante e necessário ao debate político-eleitoral do país.

Álvaro Dias

O senador do Podemos foi um dos que teve maior volume de exposição. Apresentou ideias e propostas ao país, como sempre de forma superficial. Nada de novo ou desempenho que possa lhe transferir votos. Usou uma tática de vincular a sua candidatura ao nome ou imagem de alguém popular, neste caso, o juiz Sérgio Moro, que segundo o referido candidato, caso ganhe a eleição, o magistrado será o seu ministro da Justiça. 

Cabo Daciolo

O militar que ocupou a vaga deixada por Jair Bolsonaro no partido Patriotas foi o “ponto fora da curva” no debate. Sua postura e oratória fomentaram risos e espantos aos que estavam no estúdio da Bandeirantes, assim como, os que assistiam, por exemplo, em casa. Conforme o comentário ao vivo que fiz em meu Twitter; Daciolo me fez relembrar Jair Bolsonaro em um passado não muito distante. Frases de efeito, aclamação ao público, chavões e mistura de religião com política;  tornaram o candidato que gerou maior repercussão. Sua frenética participação foi – ao meu ver – uma “faca de dois gumes” para Jair Bolsonaro. Positivo por mostrar ao eleitor que o candidato do PSL está mais calmo e sereno; por outro lado, negativamente, deixou Bolsonaro “insosso” ao seu eleitorado. Daciolo teria a capacidade de atrair votos de quem apoia Bolsonaro?

Para finalizar, como esperado, o candidato Lula não pode comparecer aos estúdios da Bandeirantes, por conta da sua condição atual, preso em uma cela na Polícia Federal, em Curitiba. Seu futuro substituto, Fernando Haddad não foi autorizado para participar (teve o pedido de participação indeferido pelos organizadores do debate) por neste momento ter feito o seu registro na condição de vice. O jogo comecou na campanha eleitoral mais inusitada desde o processo de redemocratização do pais.

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