Simão mais do que nunca sendo Jatene

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Ontem (7) foi o prazo limite para a desincompatibilização, seguindo a legislação eleitoral para quem queira se candidatar nas próximas eleições. O governador Simão Jatene ficou no cargo. Não realizou o seu  desejo de sair juntamente com o seu vice, Zequinha Marinho, e deixar em seu lugar o presidente da Alepa, Márcio Miranda. Jatene queria disputar o Senado; em segunda hipótese, uma cadeira no parlamento estadual. Nada do que havia montado de estratégia política deu certo.

Em sua conta na rede social Facebook, Simão justificou o motivo de sua permanência como uma “necessidade” para um projeto político maior. Não de cunho particular, pessoal, como o acusam, mas de um modelo de desenvolvimento. Na ocasião, Simão ainda cita exemplos, como caso da eleição de 2006, quando poderia ser candidato à reeleição e não foi. Mas sabemos que a desistência de Jatene foi imposta pelo ex-governador Almir Gabriel. 

No cenário atual, como se sabe, o vice-governador Zequinha Marinho (conforme analisado por diversas vezes por este blog) foi o entrave. Decidiu não comungar da estratégia do governador. Zequinha tornou-se um vice que saiu no tempo certo da sombra que o cargo geralmente impõe, especialmente no Pará, para o chamado “time” político, reunindo para si a importância central no tabuleiro eleitoral paraense. Com a “primeira fase” concluída, com a definição de quem – pelo menos – tem interesse em ser candidato, deixando seus respectivos cargos, o passo seguinte será a de construção de acordos para definição nas convenções partidárias, que ocorrerão em agosto.

No campo da base governista, dois nomes estavam certos para a disputa ao governo (um com apoio velado do chefe de Executivo e outro “por fora”): Márcio Miranda (DEM) e Sidney Rosa (PSB). Ontem, o secretário de Desenvolvimento, Mineração e Energia, e ex-prefeito de Paragominas, Adnan Demachki entregou o cargo. Seu grupo político e diversos integrantes do PSDB o querem como candidato tucano ao Palácio dos Despachos. Portanto, mais uma opção para a cadeira de Jatene, com a diferença que Demachki é do PSDB.

A decisão de Zequinha de não sair, permanecer no cargo do vice-governador fez estragos políticos grandes. Primeiro, limitou e enfraqueceu Jatene. Segundo, diminuiu o poder de Miranda na disputa, e além disso causou um alvoroço na base do PSDB. O que parecia ter se definido (Miranda ao governo) parece que enfraqueceu. O próprio presidente da Alepa sempre deixou claro que só seria candidato ao Palácio dos Despachos se estivesse sentado na cadeira de governador desde abril.

Há uma certa indefinição de Jatene no caso. Fontes palacianas afirmaram que foi marcada uma reunião para a próxima semana, mediada pelo governador, e estarão na mesa Miranda e Demachki. Simão já começou a sofrer forte pressão “de fora”, vinda de Brasília e São Paulo. Tudo porque Geraldo Alckmin deixou ontem o cargo de governador e será o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Precisará de palanque no Pará. Por isso, a necessidade de ter um tucano encabeçando a chapa. Será que Jatene colocaria Miranda na condição de vice de Adnan? Ou melhor, Márcio aceitaria qualquer mudança no que foi acertado anteriormente?

Nesse processo de fragmentação de disputa majoritária na base, tem ainda a se resolver a questão do deputado Sidney Rosa (PSB), que já vem fazendo há tempos críticas ao governo, afastando-se da base, apresentando um projeto político diferente do pretendido por Jatene. O referido deputado aguarda a decisão de seu partido sobre o caso. Simão nos bastidores tenta convencê-lo a sair para federal, algo que não agrada, no momento, o ex-prefeito de Paragominas.

A manutenção da indefinição (mesmo após o esperado processo de desincompatibilização) na base governista só fomenta a disputa interna, e até um possível autofagismo político dentro do ninho tucano. Enquanto isso, do outro lado, Helder Barbalho deixou o Ministério da Integração Nacional para se candidatar novamente ao governo do Pará.

Em 2014, em sua primeira disputa, Helder venceu no primeiro turno e por erros de estratégia, perdeu no segundo, muito por conta da sua alta rejeição na Região Metropolitana de Belém e na composição de apoios. Agora, em 2018, apesar de não crescer nas pesquisas, em comparação com as realizadas há quatro anos, o herdeiro político de Jáder terá como adversário um grupo político mais fragilizado, mais “esfarelado”, com um legado de governo desgastado e sem o total e irrestrito apoio das Organizações Rômulo Maiorana (ORM) como antes. Será suficiente para vencer? Ainda é cedo para uma conclusão.

Enquanto isso, Simão continua sendo Jatene e definindo no mais esticado prazo possível o cenário de seu partido e aliados. Isso sem antes fechar – agora – o futuro político de sua prole e quem está na órbita direta dela.

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