Temer, o papel da mulher e as panelas guardadas

Compartilhe nas redes sociais.

Por conta do dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março, o presidente Michel Temer discursou sobre a data em cerimônia no Palácio do Planalto. De forma inesperada (não pelo perfil de Temer, mas por ser um evento de valorização do papel feminino na sociedade) o presidente apresentou a mulher com função secundária no seio social brasileiro.

O conteúdo lido pelo presidente foi um desastre de repercussão mundial. Diversos jornais destacaram e criticaram as referências presidenciais ao papel da mulher. As críticas foram maiores, mais contundentes da imprensa internacional em comparação ao que foi destacado e até criticado por aqui, o que não deixa de ser surpresa.

Replico o trecho principal do fatídico discurso:

“Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher […] ela é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados e identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Se Temer quis homenagear as mulheres com a exposição de seu “importante” papel na sociedade, especificamente no reduto familiar, deu um “tiro no pé”. A homenagem tornou-se um desagravo à imagem feminina, remontando-a ao passado que não se quer de volta. A montagem de seu governo já foi muito questionada, pois a primeira lista ministerial não apresentou nenhuma mulher. Depois de muita pressão, indicações femininas de primeiro escalão foram divulgadas. Hoje, dos 28 ministros de Estado, duas são do sexo feminino.

Mesmo com essa atitude e discurso de diminuição do papel social da mulher, não foi suficiente para reabrir os armários, fazer ressurgir deles as panelas, nem mesmo aquelas que eram batidas por mulheres foram escutadas ou apareceram nas sacadas gourmet.

Brasil retrocede em diversas áreas. Até o papel da mulher em um país machista ao extremo diminui mais ainda. E poucas mulheres se dão conta disso ou perceberam o trágico discurso do atual mandatário do país e seus impactos em uma sociedade que precisa evoluir no reconhecimento do papel feminino. Enquanto isso as panelas continuam guardadas e ruas vazias.

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*