Tucanos e aliados: entre aplausos, vaias e ovos

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Uma grande comitiva de políticos, liderada pelo governador Simão Jatene desembarcou na região oeste do Pará, tendo como base de apoio o município de Santarém, o mais importante da região, com quase 300 mil habitantes, sendo o terceiro mais populoso do Pará.

Jatene, na última sexta-feira (09), celebrou em Óbidos, Termo de Fomento com a Associação de Caridade da Santa Casa para garantir R$ 3,6 milhões para reforma e ampliação da unidade de saúde. Assinou ordem de serviço para a Setran pavimentar 3,5 Km da PA-254 até o aeródromo da cidade. A agenda de visitas da comitiva na região oeste do Pará incluiu assinatura de convênio para conclusão das obras de reforma e ampliação do Hospital Municipal Santo Antônio, em Alenquer, com repasse de R$ 3,6 milhões, previsto no convênio entre a Sespa e a Sociedade Beneficente Santo Antônio, para atendimentos de média e alta complexidade.

Em Alter do Chão, em Santarém, vistoria as obras de ampliação da PA-457 (rodovia Everaldo Martins), que liga a sede municipal à vila balneária, com acostamento, pavimentação, rotatória, ciclovia, sinalização e iluminação, investimento de R$ 11.316.789,36. Segundo dados repassados pela assessoria de comunicação do governo, em Santarém, o governador acertou a construção de um terminal hidroviário de cargas e passageiros., o espaço terá 3,6 mil metros quadrados de área construída, com sala de embarque e desembarque, guichês para venda de passagens, guarda-volumes, banheiros, fraldário, praça de alimentação com 404 lugares, área de espera com 801 lugares, espaço para órgãos intervenientes (Arcon-PA, Juizado, Conselho Tutelar, Sefa, Capitania dos Portos, Receita Federal e Polícia Militar), além de quiosques de informações e loja, escada rolante, plataforma vertical, estacionamento com 120 vagas para carros, 90 para motos e 60 para bicicletas, ponto de táxi e paradas para ônibus e micro-ônibus.

Os recursos foram obtidos através de operação de crédito do Governo do Estado junto à Caixa Econômica Federal, num pacote de mais R$ 80 milhões, aprovado à unanimidade pela Assembleia Legislativa, que inclui a construção de outros seis terminais na região, todos com obras já iniciadas. Todo esse pacote de investimentos na região não foi suficiente para acalmar os ânimos e diminuir a insatisfação da população do baixo Amazonas. Jatene foi recebido com vaias, mal conseguiu discursar. O deputado Nilson Pinto recebeu “chuva de ovos”. Tais atitudes demonstram na prática a avaliação que a gestão Jatene possui nas regiões mais afastadas da capital. O seu grupo político que governa há duas décadas, 16 anos initerruptamente, parece ter fomentado o cansaço na maioria da população paraense.

Como é sabido, a capital e sua região metropolitana foram decisivos para a manutenção do PSDB no poder, especialmente em 2014, e deram a Simão o terceiro mandato, sendo o único político paraense a conseguir tal feito. Mas o modelo de desenvolvimento que se perpetua, a crise cada vez crescente na segurança pública, o triste cenário social, fazem despencar a avaliação de Jatene e, talvez, de quem ele possa indicar. Miranda, até então, o nome escolhido, viu pessoalmente, e percebeu da pior forma possível, a gestão que poderá assumir em abril e terá que defender o legado.

As regiões sul, sudeste e oeste do Pará já não suportam (levando em consideração as suas importâncias econômicas e a contribuição para a balança comercial paraense, em especial, a região de Carajás) o tamanho descaso e a desproporcionalidade – cada vez maior – de investimentos, se comparado a Região Metropolitana de Belém (RMB). Não é de hoje, pelo menos, desde o plebiscito da divisão territorial do Pará, em 2011, que passou de a hora do Estado promover – de fato – uma nova reorganização territorial, um novo arranjo institucional perante os seus limites espaciais.

O orçamento do governo do Pará, vem desde 2015, invertendo a lógica do discurso de combate às assimetrias regionais paraenses. Ou seja, aumentando os investimentos nos locais que já apresentam satisfatório nível de infraestrutura e diminuindo nas regiões que ainda carecem do suporte estatal. Toda a questão é centrada na representação política. Algo que ainda falta as regiões citadas. Enquanto isso, Belém vai ficando cada vez mais longe do resto do Pará, pelo menos, na lógica tucana de gestão.

Apesar da agenda “interiorana” que Jatene vem desenvolvendo desde o início do ano, e que a levará até o prazo limite dado pela Justiça Eleitoral, a sua rejeição nas regiões mais afastadas do centro do poder é alta e que quase lhe tiraram do Palácio dos Despachos, em 2014. A estratégia tucana é justamente essa, a de implementar uma agenda de realizações nessas regiões buscando diminuir o máximo possível a rejeição.

Enquanto isso, entre aplausos, vaias e ovos; os tucanos, agora via Márcio Miranda vão tentando manter-se no poder, mesmo com toda a fragmentação interna que se inicia com o processo eleitoral e as decisões nada partidárias de Jatene.

Imagem: Blog do Jeso.

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