11 de setembro – uma narrativa particular


Hoje completam-se 15 anos do maior atentado terrorista em solo americano, quando sucessivos ataques aéreos ocorreram em três cidades estadunidenses. Quatro aeronaves foram tomadas por terroristas islâmicos que conseguiram jogar os aviões em três alvos (o quarto foi abatido em pleno ar por caças americanos). O mundo parou, os principais veículos de comunicação, transmitiam ao vivo, cada detalhe dos ataques. Naquele momento ninguém sabia o que ainda poderia ocorrer e nem que estaria por trás de tal ação como aquela, algo que só se via em cenas promovidas nos estúdios de Hollywood.

 

Na referida data estava no meio de uma aula de geografia, ministrada pelo excelente professor Rocha Neto, no cursinho preparatório para o vestibular, em Belém. Tudo parecia normal, terceira aula da manhã, o relógio apontava por volta das 09:30 min, quando de repente, um monitor entrou na sala, se dirigiu ao palco em que ficavam os professores, sussurrou ao ouvido do mestre. De repente a aula parou. O professor pediu silêncio e iniciou uma fala que não estava diretamente relacionada ao assunto que estava na pauta da aula. Rocha Neto avisou que não teria condições de continuar com aquela aula e que estaria remarcando-a em breve, evitando prejuízos aos alunos.

Avisou que naquele momento (11/09/2016) era um dos dias mais felizes de sua vida. Os alunos assim como eu, pensamos que o monitor havia trazido a notícia do nascimento de um filho ou algo parecido, pois a alegria do professor chegava a contagiar a todos que assistiam aquela aula. O professor buscando terminar com aquele suspense, anunciou em alto e bom som: “Os Estados Unidos estão sendo atacados em seu território”. Desta forma, se despediu e deixou a sala.

O ano era 2001, 15 anos atrás. Não havia ainda a popularidade das redes sociais e os celulares tinham chegado anos antes no Brasil e o seu consumo ainda era meio restrito. Um adolescente, estudante, pobre, como eu, não teria condições de ter um aparelho para acessar e buscar informações. De fato, só tive a proporção do fato, quando deixei o cursinho e acompanhei os telejornais do meio-dia. Naquele horário os fatos já estavam consumados e se calculava os prejuízos e as vítimas. As duas maiores torres em solo americano, viraram ruinas, um amontoado gigantesco de ferro e concreto. Dias depois se descobriu que só nos ataques aos dois prédios, mais de 3000 pessoas perderam a vida, pois ali era um complexo empresarial. Outro ponto atacado foi a base de operações do Pentágono na capital americana. Mas a fatídica data foi marcada pelo ataque as duas torres em Nova Iorque.

O “11 de setembro” quinze anos depois ainda faz persistir diversas dúvidas. Há ainda a questão de teorias conspiratórias (muito recorrentes em ataques ou eventos e grande proporção como este) em que os próprios americanos prepararam tudo para ter uma justificativa para ataques aos países inimigos, em nome da “democracia” e do petróleo que essas nações possuem em seus subsolos. Se tratando de planos e ações, os americanos fazem muito a ficção de seus filmes se tornarem realidades. Não há como desprezar nenhuma tese, mas creio que sustentar a hipótese de auto terrorismo seria um devaneio.

Todos que nasceram antes de 1990, possuem histórias sobre a emblemática data, sobre o que faziam e em qual local estavam, enquanto os Estados Unidos eram atacado. O “11 de setembro” nada mais foi do que um produto, resultado da política externa americana. Quinze anos depois os EUA continuam com a sua política externa agressiva, especialmente aos países que rotula como “eixo do mal”. Depois de 15 anos, nada mudou. O mundo muito menos.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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