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Antes de começar a discorrer neste artigo de opinião sobre mais essa triste marca que, lamentavelmente, alcançamos, vale uma reflexão: você que está lendo, já imaginou que poderia nem ter tido essa oportunidade? Ou talvez, nem eu de tê-lo escrito? Porque ambos ou um de nós poderia, infelizmente, ter tido o mesmo destino das 200 mil pessoas que tiveram suas vidas interrompidas. Ainda bem que eu tive a oportunidade de continuar escrevendo e você de ler.

No dia 08 de agosto de 2020, o Brasil atingia a triste e emblemática marca de 100 mil mortos por Covid-19. Quase seis meses depois, dobramos, infelizmente, o quantitativo. Ontem, 07, 200 mil pessoas já perderam suas vidas (oficialmente) para o novo coronavírus, sem contar a subnotificação. Somos o segundo país do mundo em óbitos.

A triste marca foi batida em meio ao aumento do número de infectados e de mortes. Atravessamos o que os especialistas chamam de segunda onda. Novamente estamos vivendo, sem dúvida, outro momento crítico da pandemia. Pior é que ainda nem iniciamos a vacinação. Quase um ano após o início da pandemia em nosso país, o presidente Jair Bolsonaro continua a negar a realidade, a fazer pouco caso. Seu governo continua a não agir como deveria. Isso reflete o triste número que acabamos de atingir.

Já se foram 200 mil histórias, vidas. Neste triste quantitativo, eu, particularmente, perdi amigos e parentes. Pessoas que ainda teriam muitos anos de vida, mas que sucumbiram ao descaso do presidente e de seus auxiliares e apoiadores.

Portanto, somos – como já dito em outros artigos neste Blog – o exemplo (deveríamos ser estudados no futuro por conta disso) do que um país não pode fazer ou o que não pode deixar de fazer em uma pandemia. Como os especialistas falam, estamos bem longe de encerrar o problema. Só ocorrerá com vacinas, elas até já existem, porém, ainda nem iniciamos o processo de vacinação de nossa população. Isso levará ainda um bom tempo para que a população brasileira esteja imune ao vírus. Até lá, pelo que parece, continuaremos a contar diariamente a perda de vidas.

Chegamos a um ponto que todo brasileiro conhece alguém que perdeu a vida por Covid. Cem mil famílias choram a perda de parentes, em diversas delas, foi mais de um ou até mais entes queridos. Mas nada disse parece importar. Tudo vem voltando à normalidade. Governadores e prefeitos a cada semana flexibilizam seus decretos, sob a justificativa de cenários epistemológicos favoráveis. De toda forma, a vida segue.

Aos mais conscientes ela segue, mas mantendo distanciamento, evitando aglomerações, usando máscaras, não frequentando festas, não comemorando. Não há o que festejar quando se tem duzentos mil brasileiros que tiveram suas vidas interrompidas. Que não puderam se despedir. Não há o que comemorar quando seremos um dos últimos países a iniciar o processo de vacinação. Empatia ao próximo é algo que precisa ser conservado e estimulado. São duzentas mil vidas que se foram. Não há o que celebrar. Todos nós perdemos. Somos derrotados. O maior culpado tem nome e sobrenome e ainda diz que não sabe o que fazer.

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