A “Casca sem a Bala”. O mandato apagado. A dependência política de Ramos. Os desafios de Moratório para 2026

 

Foram 3725 votos, o quinto mais votado. Esse foi o desempenho de Anderson Moratório ao final do último processo eleitoral. Sem contar a parceria inabalável com o então prefeito eleito Aurélio Ramos. A música “Casca de Bala” de Thullio Milionário, foi a mais executada no país no ano passado, em ano eleitoral, se tornando rapidamente o hit das campanhas eleitorais pelo país.

No caso de Parauapebas, foi bem explorada pelo marketing da campanha do 70, agregando-a com a do vereador Anderson Moratório, concretizando-se uma parceria eleitoral de sucesso. Pesquisas qualitativas apontavam que ambos os citados na urna representavam o voto mais “casado” daquela eleição, ou seja, quase 100% de quem votava 70 para prefeito, votava em Moratório para vereador e o vice-versa também era verdadeiro.

Foi uma parceria exitosa, em que ambas as partes sem completavam. Aurélio garantiria a reeleição de Anderson pelo voto “casado”, e o vereador em questão teria essa indicação de voto por ser o responsável por controlar o comportamento do candidato ao Executivo. Na prática, o perfil truculento de Aurélio seria amenizado ou até contido com a intervenção de Moratório na campanha e no governo. Caberia ao “casca de bala” ser o mentor do prefeito eleito, o guiando pelos melhores caminhos. Por ser professor, Moratório seria, por lógica, o “dono” da Educação, podendo, inclusive, assumir a pasta e, por sua experiência, colocar a educação municipal em outro patamar.

Todas essas premissas lógicas foram logo desmontadas semanas após a vitória nas urnas. A montagem do governo deixou claro que a relação entre o prefeito eleito e o vereador reeleito, seu principal aliado na campanha, já não era a mesma. Era evidente que a “casca estava sem a bala”. A parceria tinha validade: fim do processo eleitoral.

O governo começou e o distanciamento entre ambos ficou nítido. Moratório foi sendo deixado de lado. Não teria o controle da Secretaria Municipal de Educação (Semed). No máximo, uma pomposa cota de indicações para alocar seus apoiadores. Caso quisesse mais teria que se licenciar e virar secretário.

Todavia, um acordo foi cumprido por parte do prefeito Aurélio Ramos: a Presidência da Casa de Leis. Apesar da relação caminhava para um distanciamento cada vez maior, Moratório por sua postura e comportamento, era o mais confiável para presidir o Legislativo, evitando maiores problemas ao governo.

Logo após a eleição que garantiu a eleição de Anderson Moratório, o governo enviou a fatura: diversas pautas polêmicas, como a que decreta o infindável Estado de Emergência Administrativa, que continua vigorando um ano depois. Teve também o envio de projeto de lei que criava mais 600 cargos comissionados. Tais medidas provocaram as primeiras reações negativas de apoiadores contra o governo, além da pressão sobre a Casa de Leis.

Moratório teve que se organizar entre a base governista e a crescente oposição, que atualmente conta com quatro cadeiras. De postura comedida e dentro dos limites do decoro parlamentar, viu uma base sendo humilhada pelo governo, uma oposição ganhando destaque, e ao mesmo tempo sua gestão definhando com o passar dos meses. Seu primeiro ano como presidente encastelou a Câmara Municipal, que não produziu agenda exógena, ficou vendo tudo por “cima do muro”.

Percebeu tarde que o governo jogava contra e o desgastava a cada sessão. Em alguns momentos tentou mostrar que era independente, cobrando o prefeito Aurélio Ramos, em vão. Ameaçou romper com o governo, mas percebeu que tal movimento poderia decretar o seu fim político-eleitoral.

Moratório sabe que só obteve uma votação expressiva por conta da parceria com Aurelio Ramos, sem ela, dificilmente conseguiria se manter na Casa de Leis. Foi inteligente e fez a leitura no tempo certo, quando mudou de lado e foi para a oposição. Romper seria um ato de ingratidão e traição. O governo sabe disso, por isso, o trata com indiferença, mantendo-o no “cabresto”.

O desafio de Anderson Moratório e do que sobrou de seu grupo político, é deixar mais de lado o gerenciamento da Casa de Leis, e colocar o bloco do mandato na rua. Fazer política. Diferente de seu antecessor que soube usar a cadeira mais importante do legislativo para se promover politicamente, Moratório prefere ficar preso na burocracia. Tal postura vem lhe custando muito politicamente, colocando em risco, inclusive, o seu mandato, que depende muito da boa relação com o prefeito Aurélio Ramos, a parceria que lhe manteve no parlamento, mas que agora é o seu maior impedimento político.

A bala está sem a casca, que a envolveu oportunamente.

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Capital abandonando o capitão

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vive o seu pior momento. A popularidade do mandatário nacional atinge patamares nunca antes vistos em sua

O dilema de Alckmin

Geraldo Alckmin foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Sua trajetória política vem desde quando se lançou vereador e depois prefeito

Quais documentos ter em mãos para declarar o IR 2023

Sempre que é divulgado o calendário oficial para declarar o Imposto de Renda (IRPF 2023, ano-base 2022), o contribuinte precisa reunir todos os documento necessários

Pandemia derrubou PIB de cidades, porém Parauapebas está entre as cinco que mais ganharam participação nacional

Era esperado que um dos reflexos da pandemia do novo Coronavírus que atingiu o Brasil nos últimos dois anos, tivesse como resultado, com maior ênfase

Mineração recolhe R$ 25,5 bilhões em impostos e tributos no 1T25

O recolhimento de tributos pelo setor de mineração no Brasil aumentou 7,9% no primeiro trimestre de 2025 (1T25), na comparação com o mesmo trimestre de

No compasso de Darci

Anteontem, 15, o prefeito Darci Lermen (MDB) participou da sessão solene da Câmara Municipal de Parauapebas, evento que abriu os trabalhos legislativos em 2023, ao