A desinformação como política de governo e suas consequências ao mundo real

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Parece surreal a última live feita pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, na última quinta-feira, 27. Nela, o mandatário da nação criou uma nova narrativa para o fato que ele mesmo causou ao divulgar dois vídeos em que convoca a população às ruas, buscando derrubar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Na live, Bolsonaro ataca a jornalista Vera Magalhães, responsável por tornar público os tais vídeos. O presidente afirmou que os conteúdos divulgados por ela, eram datados em outra época, mais retroativa, em 2015. Tal afirmação é rapidamente desmentida pelo simples fato que imagens contidas nos materiais, ocorreram em 2018, como exemplo cabal, o caso da facada recebida pelo presidente, em setembro daquele ano.

Se a data foi 2015, por que a facada estaria no vídeo, se o fato ocorreu três anos depois? Que poder de premunição é esse? O que ocorreu, foi o de sempre, como já dito aqui diversas vezes, a mentira e a desinformação, tornou-se ambos, modus operandi do Bolsonarismo e até – pasmem – política de Estado, pois tal postura e ação vem na maioria das vezes do presidente, além de ser gerado dentro das dependências do terceiro andar do Palácio do Planalto. Ao cabo, portanto, houve, mais um vez, a tentativa de desconstrução da ação jornalística sobre o caso, que a narrativa presidencial claramente não se sustenta.

Não é de hoje que narrativas errôneas, falas desconectadas da realidade ou dos fatos, tornaram-se reais. Os apoiares do presidente incorporam narrativas (muitas destas sem a devida comprovação) e as vendem como se fosse verdades absolutas. E esse material gerado é a matéria-prima para o trabalho das milicias virtuais e em outros casos os apoiadores do presidente. 

Isso tudo tem um preço e ele é cobrado no mundo real. A falta de decoro presidencial e a postura de alguns de seus ministros, vendem a ideia de que o Brasil se tornou um país sem segurança jurídica e em crise política intermitente. E tal imagem, afugenta investidores, faz o dólar subir, cria obstáculos nas relações comerciais e, como visto na prática, promove intensa fuga de capitais. Neste cenário de guerra dialética, não se tem segurança para investir. O Brasil lá fora é visto com incertezas. 

Se o presidente quer melhorar os índices econômicos, fazer a economia crescer, gerar empregos; deveria primeiramente fechar a boca e ser mais comedido em suas colocações. Frear (algo que parece que está acontecendo em doses homeopáticas) a ala ideológica de seu governo. Centrar mais na produção técnica. Apesar de toda a “balburdia” gerencial, há setores governista que estão à margem da retórica ideológica e fazem, em silêncio, ou com pouco exibicionismo, o governo funcionar.

Indiscutivelmente, a imagem de um governo é muito importante. Como dito, a visão sobre o nosso país lá fora não é das melhores. E a crescente avaliação negativa está relacionada em grande parte à postura presidencial. E isso custa muito ao país. A desinformação como política de governo afeta claramente o mundo real. A realidade se impõe. 

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