A dura realidade dos jornais impressos

Neste fim de semana estou em Belém, e pude perceber (em tom de perplexidade) a nova realidade dos jornais impressos da capital paraense. Como de costume, quando volto ou quando fico alguns dias, compro os jornais, em especial os dois maiores: Diário do Pará e O Liberal.

Neste sábado, 27, comprei só o periódico dos Maiorana. De cara, pude perceber a diferença do volume do jornal. Muito mais fino, com menos cadernos e estes com menos páginas. A edição de hoje (27), contém 32 páginas, divididas em cinco cadernos e uma revista Magazan, do grupo Líder; ou seja, só publicidade. Tirando as quatro páginas de classificados, são apenas 28 de conteúdos divididos em política, atualidades, economia, esportes, cultura e violência. Um Impressionante enxugamento.

Em outrora, tinha-se, pelo menos, o dobro de páginas, e com cadernos mais robustos. Essa diminuição é reflexo do que vem ocorrendo no jornalismo impresso. De forma geral, os jornais estão vendendo cada vez menos. Hoje muitos leitores migraram para o conteúdo digital, que os próprios jornais criaram, como algo inevitável a realidade e para se manterem “vivos”. 

Não comprei o Diário do Pará deste sábado, 27, mas o folheei. Nada diferente do citado concorrente. Igual ou até menos enxuto do que o O Liberal. Inversamente proporcional – para ambos – é o valor cobrado e o volume de conteúdo. Mais caros e com menos páginas. Essa é a realidade, não só de Belém, mas do país. Irei comprar os exemplares dos dois jornais citados deste domingo, 27, antes de viajar. Já espero grande redução de páginas e cadernos.

Vale a pena registrar que o jornal Pessoal do jornalista Lúcio Flávio Pinto, recentemente fechou. Depois de pouco mais de três décadas, ficou inviável mantê-lo. Lúcio criou um site, em que escreve seus artigos, e o mantém através do pagamento dos assinantes para acessá-lo sem restrições. Foi a forma que achou para sobreviver e tornar o seu ofício algo minimamente rentável.

Além dos jornais impressos, verifiquei in locu, o fechamento da livraria da Visão, nas dependências do Shopping Pátio Belém. Estive lá. O amplo espaço foi ocupado por roupas e calçados. O grande acervo de livros foi colocado de lado, no cantinho do mesmo andar, perto da escada que leva ao subsolo. Todas as obras estão em promoção, virou um sebo. Comprei dois livros que, somados, não pagam metade de um, caso a livraria estivesse funcionando com antes.

Centenas de livrarias já fecharam pelo país. E outras irão fechar. Não há estímulo para produção, não há política pública que busque subsidiar o mercado editorial (que aliás diversas já fecharam), que financie obras; isso tudo em um país que historicamente sempre se leu pouco. Aliado a isso tem a concorrência do modelo digital, que veio para ficar. 

Livro está se tornando algo cada vez mais raro. Ainda sou do perfil que não troco uma leitura ao modo tradicional, com livro físico, palpável, por um texto em tela de computador ou celular. É a nova realidade, e que fica pior em um país de poucos e cada vez menos leitores. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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