A lógica do confronto

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No último domingo (26), milhares de pessoas foram às ruas em defesa do governo do presidente Jair Bolsonaro. A proposta era contrabalançar as manifestações ocorridas no último dia 15, estas sendo críticas ao atual governo. A de domingo foi claramente uma resposta, e ela foi fomentada pelo próprio presidente e seus aliados mais próximos, além de seguidores influentes, que conduzem a massa apoiadora.

Está claro que o bolsonarismo não irá recuar ou criar meios de negociação contra os que vão de encontro aos seus interesses, mesmo que esses sejam o Congresso Nacional (que tem como função de existência, fiscalizar o Executivo, portanto, não precisando concordar ou abrir concessões do citado poder), além do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos foram atacados pelos bolsonaristas nas ruas. No atual estágio, o PT, o comunismo, parecem perder espaço na narrativa dos que defendem o presidente; há outros “inimigos”, e eles são mais próximos e estão no caminho de Bolsonaro. 

As manifestações do último domingo, 26, claramente ficaram aquém do que o governo esperava, mas por outro lado, acima quantitativamente do que a oposição esperava. Para um primeiro movimento, o volume de pessoas foi considerável, ainda mais para a militância bolsonarista que se criou e se resumia ao mundo virtual. E ocupou as ruas com o discurso (perfil eufemista) que estava-se apoiando a reforma da Previdência e o pacote anticrime. 

O embate agora será nas ruas, campo que os apoiadores do presidente ainda estão se habituando, mas que prometem avançar rapidamente. O país parece reviver o ano de 2015, em que campos opostos disputavam espaços públicos dos grandes centros urbanos. A instabilidade política continuará, e ela não será combatida por quem deveria, neste caso, o presidente. Pelo contrário, ele a fomenta, a quer viva. Só assim fará sentido o Estado beligerante, algo que tratei recentemente neste Blog.

O bolsonarismo não irá recuar. O confronto é o seu modus Operandi, e assim que se faz presente e vivo. A lógica do “inimigo invisível” é necessária, e precisa ser cultuada. A artilharia (não mais restrita ao campo virtual, mas também real, das ruas) é a nova etapa. Os inimigos se renovam, essa é a lógica do confronto.

2 COMENTÁRIOS

  1. Tu não achas que o congresso brasileiro é viciado em benesses em troca de aprovação para os projetos do executivo?

    • Saudações, anônimo.

      Concordo com o fisiologismo apontado por você em relação ao parlamento. Mas nesta questão há de se considerar que o governo – ao seu modo – quer reinventar a relação entre os poderes. Não debater projetos como a reforma da Previdência, também não é nada salutar. Impor ao legislativo o seu desejo é algo que beira o regimento ditatorial. Não esqueçamos que o Congresso foi eleito democraticamente, assim como o presidente. No artigo discorro sobre o modus Operandi do bolsonarismo.

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