A morte política de Aécio Neves

1
3

No dia 06 de abril do ano corrente coloquei o mesmo título deste post, com a diferença de ser em sentido duvidoso, com interrogação no final da frase. Não havia – naquele momento – nada ainda conclusivo em relação às ilicitudes do então senador mineiro. O que se tinham eram dezenas de delações da Odebrecht em que Aécio era conhecido como “mineirinho” e “chato” por – segundo os delatores – cobrar insistentemente repasses de dinheiro aos empresários.

As acusações contra Neves são antigas. Remontam à época em que ele era governador de Minas Gerais. As pedras em seu sapato atendem pelo nome de Furnas, empresa de geração de energia vinculada a Eletrobrás. Depois na área da saúde e por fim na construção da Cidade Administrativa, que sedia o governo mineiro. Essas acusações restritas apenas ao referido ente federativo.

No plano federal, a operação Lava Jato com as delações de Marcelo Odebrecht tornou público o que já se suspeitava. Aécio pediu ao diretor da construtora milhões de reais para campanhas, especialmente a sua, em 2014, quando foi candidato a presidente da república. Os tucanos rapidamente correram para negar que os repasses informados no depoimento de Marcelo eram ilegais. As colocam como doação de campanha e que todo e qualquer recurso arrecadado foi informado na prestação de contas. Mas ao se analisar as descrições informadas, todos os volumes descritos pelo empreiteiro não batem com o repassado à Justiça Eleitoral.

No referido período citado parte da grande imprensa, reconhecidamente favorável ao mineiro já apresentava sinais que iria abandoná-lo. As denúncias eram muito consistentes e irrefutáveis. Seria difícil mantê-las longe dos holofotes.    

Desde de 2015 Aécio Neves já demonstrava a sua desidratação política. Primeiro em ralação ao seu poder de comando dentro do PSDB, na qual detinha o controle do partido por ser o presidente nacional. Mas, já existiam setores internos tucanos que buscavam a possibilidade de deslocar o ex-governador mineiro do cargo. A velha supremacia paulista que tenta retomar o controle do ninho tucano.

Em seu reduto eleitoral, Minas Gerais, Aécio Neves havia perdido para Dilma Rousseff nos dois turnos da disputa presidencial de 2014. Esse fato já demonstrava claramente a perda do poder político do neto de Tancredo. Neves se mostrou um político da pior espécie. Primeiro por não ser democrata e desconsiderar o espírito republicano, deixando isso claro a não aceitar e reconhecer a derrota nas urnas. Por declarar publicamente (registrado) que não deixaria o governo reeleito administrar o país. Faria de tudo para “tocar fogo” no país. Puro revanchismo barato e que não condiz com a importância política conseguido por Aécio. O que o então senador mineiro queria, conseguiu.

O cerco se fechava, apesar de parte do judiciário colocar em uma redoma o ex-governador de Minas Gerais. As delações do grupo JBS, concretizadas por Joesley Batista, foi a bala de prata contra Aécio. Além de escutas telefônicas da Polícia Federal comprovando a relação nada institucional entre o senador afastado e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

No caso da gravação de Joesley Batista, fica claro a atuação do tucano para barrar as investigações da operação Lava Jato. Além da pedida de dinheiro para uso próprio. O mais chocante é a situação de ameaça velada que Aécio fez. Claramente ele afirma: “Tem que arrumar um que a gente mata antes de fazer delação”. Algo gravíssimo, indefensável. Esse “um” seria Frederico Neves, primo de Aécio.

Neves foi afastado de seu mandato de senador. Inexplicavelmente não foi decretada a sua prisão. Por muito menos o ex-senador Delcídio do Amaral foi preso. Em Minas Gerais já se questionava se o neto de Tancredo teria condições de ser governador novamente ou continuar no Senado, tamanho era a sua desidratação político-eleitoral em ente federativo. Na atual situação e os desdobramentos que ainda estarão por vir, a morte política de Aécio Neves é uma realidade irrefutável. A história política de Tancredo, pelo visto, não serviu de referência a Aécio. Para o bem do Brasil sua trajetória política chega ao fim.

1 COMENTÁRIO

  1. Texto idêntico poderia ser o epitáfio político do Lula,da criatura que ele criou que atende pelo nome de Dilma,Barbalho Pai e Barbalho Filho e de tantos outros, vermelhos, azuis, de todas as cores, que enlamearam a politica e envergonham os brasileiros.

Deixe uma resposta