A nova presidência da Vale em xeque

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No fim do mês de abril, o mercado financeiro foi comunicado que a Vale definiu o seu novo diretor-presidente, em substituição a Murilo Ferreira, cuja a saída já havia sido anunciada com bastante antecedência. O escolhido foi Fábio Schvartsman, CEO da Klabin, definido através de um longo e detalhado processo de seleção, conforme anunciado pela própria mineradora. A Vale decidiu contratar empresa internacional de seleção de executivos, a famosa Spencer Stuart, para ajudar no processo de escolha de seu novo mandatário.

A revista Forbes colocou no ano passado Schvartsman na lista dos 34 melhores executivos do Brasil. No comunicado de escolha do novo presidente, a empresa havia deixado claro a sua independência no processo, garantindo a lisura e mantendo com base fundamental de seleção a capacidade técnica. Seria algo inédito no mundo corporativo brasileiro: empresa da importância da Vale, blindada pelo lobby político de Brasília.

Antes mesmo da divulgação da lista com o enorme e crescente processo especulativo, haviam diversos setores políticos que disputavam a indicação a um dos cargos empresariais mais importantes do país. A bancada de deputados federais mineiros buscavam unificar entre seus pares um nome. Os senadores do referido ente federativo também, além do presidente Michel Temer.

Segundo depoimento do empresário Joesley Batista do Grupo JBS, ele e o senador afastado Aécio Neves (PSDB) conversaram sobre a questão. Neves não concordou em conceder qualquer ingerência do empresário ao processo de escolha do novo presidente da Vale, reforçando que ele, Aécio, já havia escolhido quem seria o mandatário da mineradora. Portanto, o novo presidente da segunda maior mineradora do mundo, novamente, seguiu o processo normal, ou seja, indicação política, derrubando o discurso – neste caso – de neutralidade e escolha restritamente técnica, conforme foi anunciado ao mercado e a imprensa de forma geral.

Não cabe neste texto colocar em questionamento a competência de Fábio Schvartsman, que, aliais, tem currículo invejável dentro do mundo empresarial brasileiro. Mas, cabe questionar a qual interesse de Aécio Neves, agora senador afastado, o novo presidente defenderia ou representaria, no comando de uma das maiores empresas do mundo, haja vista, que foi escolhido unilateralmente pelo senador mineiro afastado?

A Vale seria uma porta de entrada para os interesses obscuros do ex-governador mineiro? Atenderia aos seus “tentáculos” políticos? Seria aparelhada?

Nas especulações de bastidores antes da definição de quem substituiria Murilo Ferreira na presidência da mineradora, Fábio Schvartsman não aparecia em nenhuma cotação de apostas ou suposições. De repente, via processo de seleção da empresa internacional Spencer Stuart, o então CEO Klabin, foi o escolhido. Segundo áudio entre o dono da JBS e Aécio Neves, o senador afastado o escolheu.  Portanto, o Conselho de Administração da Vale mentiu? Escondeu a verdade? Enganou a opiniãi pública? Com a palavra a mineradora…

4 COMENTÁRIOS

  1. Triste ano de 2017, com tantas trovoadas e relâmpagos políticos. Que tenebroso mineiro, sugador de argila, termina por opinar, nos mais altos degraus, de uma longínqua serrinha às escondidas no meio das últimas castanheiras, abençoadas por grandes líderes, que aos seus pés o pisaram, na ânsia de levarem as pelotas que ainda restam. Que Vale! Que tão pouco vale aos brasileiros.

  2. Enquanto Minas “indica” O Pará observa de longe sem ter lobby pra escolher o presidente da poderosa Vale.

  3. Seu questionamento foi exposto por mim recentemente em outro post. O Pará corresponde há 60% do faturamento operacional da Vale, mas a sua bancada de deputados federais e senadores não opina ou decide nada. Somos apenas um almoxarifado e nada mais.

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