A salvadora da pátria

0
0

A imagem acima é a matéria de capa da mais nova edição da revista Veja. O periódico semanal novamente estampa com destaque Marcela Temer, primeira-dama da república brasileira. A estada de Marcela na revista não é novidade. A bela já foi abordada em outras oportunidades pela revista. Confesso que, há tempos, deixei de ler o referido periódico, por não concordar com a postura jornalistica da revista.

Veja a coloca como a salvação, a “válvula de escape” do governo do marido, o mais impopular da história republicana brasileira. Já foi estereotipada de “bela, recatada e do lar” pela mesma revista e tornou-se a embaixatriz do programa “Criança Feliz”, que visa apoiar à primeira infância.

Além da produção de um personagem (Marcela) que visa claramente melhorar avaliação do governo, chama atenção o próprio papel da mídia. Ligado a propagada visibilidade está o aumento significativo do volume de recursos do governo (verbas de publicidade) para a comunicação.

Então fui olhar com mais calma os números da Secom, fazendo o seguinte comparativo: peguei as execuções contratuais (pagamentos efetivamente realizados) nestes quatro meses de “governo Temer”, de maio a agosto deste ano, e os comparei com os quatro meses de 2015. Os pagamentos federais à Folha/UOL, nos quatro meses de maio a agosto de 2016, foram 78% maiores que no mesmo período de 2015.

Apesar da grave crise fiscal, da recessão, o volume de recursos publicitários pagos nos últimos meses já é quase 50% maior que o registrado em 2015. O trem da alegria está apenas começando a pegar velocidade. É bom lembrar que estamos falando apenas da publicidade do governo federal e seus ministérios.  

É desta forma, neste formato que a relação entre governo e mídia se mantém. Claramente ao se acompanhar um noticiário televisivo, por exemplo, percebe-se certo teor de suavidade em que os problemas são abordados. Em seguida vem uma fala de esperança, de um futuro melhor, que as coisas irão melhorar, que a turbulência temporária irá passar. Por isso as reformas são necessárias. Esse é o mantra nacional. E parece ser a única saída, pelo menos é o que nos é colocado, sem debate amplo de nada.

Para que se preocupar com a crise, desemprego, recessão econômica, violência? Temos a salvação da pátria: Marcela Temer. Bela, recatada e do lar.

Deixe uma resposta