Ainda haverá “Porta da esperança”?

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Na noite de ontem (28) o presidente Michel Temer (MDB) esteve no SBT, no “Programa Silvio Santos”. O mandatário do país tinha como objetivo esclarecer sobre a reforma da previdência aos telespectadores e as centenas de participantes no auditório do programa. O marketing presidencial é claro: levar o presidente aos programas populares, melhorar a sua imagem e torná-lo mais próximo do povo.

Silvio Santos é considerado o maior comunicador do país. Sua história de vida já virou livro, sendo sempre mostrada como um exemplo a ser seguido. De camelô a um dos empresários mais bem-sucedidos do país. Em troca de verbas publicitárias, o SBT “abriu as portas” para o discurso da reforma da previdência de Michel Temer, que tentou convencer o brasileiro de que o sistema está prestes a quebrar.

A situação me permite usar uma metáfora com o quadro de maior sucesso lançado pelo referido apresentador: “a porta da esperança”. Foi um quadro em um programa de auditório dominical exibido pelo SBT entre 1984 e 1996. O quadro baseava-se na assistência aos telespectadores, sendo considerado o primeiro programa assistencialista da televisão brasileira, servindo de modelo para outros que viriam.

O apresentador convidava os telespectadores a enviar uma carta contando suas necessidades (como uma ferramenta de trabalho, um carro, uma casa), desejos (como uma viagem, um quimono, um instrumento musical), ou até mesmo reencontrar alguém desaparecido ou conhecer algum artista famoso. Os telespectadores cujos casos eram selecionados, eram convidados a ir gravar o programa, onde suas vidas eram apresentadas e o pedido justificado, na esperança de ter a solicitação realizada. O apresentador do programa mantinha suspense sobre esse acontecimento, até a hora do clímax, quando Sílvio Santos dizia o seu clássico bordão: “Vamos abrir as portas da esperança!!…”.

Neste caso, a “porta da esperança” dos brasileiros, sobretudo, aos mais pobres está sendo fechada. Ou melhor, nem aberta poderá ser mais. A situação permite outra relação com outros quadros de Santos: “quem quer dinheiro?” ou até: “topa tudo por dinheiro?” todas aplicadas à atuação de Temer na Presidência. A forma descarada da compra de parlamentares nada mais é do que a relação próxima metaforicamente com atuação de Silvo Santos na condição de apresentador: dá dinheiro e desafiar quem topa tudo por dinheiro. Neste ponto, a realidade se mistura com a ficção ou com os formatos de programas.

Temer ainda não definiu se disputará à reeleição. Seus assessores diretos já começaram a colocar em prática o objetivo de torná-lo mais popular, melhorar a sua imagem e consequentemente o seu recorde de desaprovação. Silvo Santos fez bem o seu papel de comunicador e empresário. Se a causa não é nobre, mas lhe garantiu milhões de reais em verbas de publicidade e acordos de renovação de concessão e transferência de domínio do SBT para as filhas.

Enquanto isso, a porta da esperança se fecha, com as panelas guardadas e as ruas vazias. A conta do impeachment continua impagável. Com a democracia não se brinca. A História já ensinou a lição diversas vezes.

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