Aniversário de Ananindeua escancara o distanciamento entre Helder e Daniel

Semiótica é o estudo do processo de interpretação dos signos. O significado pode ser intencional, como uma palavra pronunciada com um significado específico, ou não intencional, como um sintoma ser um sinal de uma condição médica específica. Os signos também podem comunicar sentimentos (que geralmente não são considerados significados) e podem se comunicar internamente. A foto que ilustra esse artigo analítico é autoexplicativa por si só. Mas vamos às entrelinhas.

Ontem, 03, o município de Ananindeua completou 80 anos. Em meio a muita chuva, fato considerado normal pelo período de inverno amazônico, foram entregues diversos serviços e ações à população do segundo mais populoso munícipio paraense.

Em meio a todas essas festividades, um fato esperado e ao mesmo tempo muito aguardado como medidor da temperatura da política paraense, neste início de ano eleitoral: a relação entre o governador Helder Barbalho e o prefeito Daniel Santos, ambos do MDB, mas que vivem se estranhando, em uma relação de altos e baixos.

A questão gira em torno da cadeira de Helder. Daniel quer ocupá-la em 2026, mesmo sem aval do atual ocupante. Na verdade, desde a sua filiação ao MDB, em 2019, quando ainda era deputado estadual, que Santos vem demonstrando que é, de certa forma independente, que não faz questão de seguir as orientações dos Barbalho. Ter lançado a sua esposa, Alessandra Haber a deputada federal, e torná-la a mais votada daquela eleição, foi um dos recados a Helder.

Segundo fontes que estavam in loco, o afastamento dos dois é real. Duas agendas foram feitas para o aniversário da cidade: uma com ações e obras do governo do Pará, como, por exemplo, a maior entrega de títulos de terra para lotes urbanos já realizada na Região Metropolitana de Belém, que beneficiou mais de 800 famílias. Outra ação é o Governo do Pará nos Bairros, além da inauguração do Campus da UEPA e entrega de trechos com recuperação asfáltica em vias da cidade.

Por parte da prefeitura, foram entregues a inauguração de centro de saúde e inauguração de reforma de mercado municipal (ambos com a participação do governador). De resto, a agenda do prefeito foi “colada” com a do governador nas ações de entrega de títulos de terra, Campus da UEPA e recuperação asfálticas. Quem esteve nesses locais de agenda comum, percebeu claramente que ambos mantiveram distância e pouco ou quase nada se falaram.

O 80º aniversário do segundo mais populoso município paraense foi, sem dúvida, um evento que serviu para analisar como caminha a relação entre Helder e Daniel. O mandatário estadual percebeu a necessidade de se fazer mais presente na municipalidade que, inclusive, é seu local de moradia. Não se pode esquecer que foi em Ananindeua que Helder iniciou sua trajetória política, ainda como vereador e depois como prefeito por duas vezes. Um certo distanciamento de Barbalho, possibilitou (pelo que consta à sua revelia) o nascimento do que se chama de “República de Ananindeua”, uma estrutura política com intuito de aumentar a representação política e, consequentemente, o poder daquele município.

Por sua importância política, Helder fez questão de deixar o prefeito em segundo plano durante os eventos de ontem. Em diversos registros fotográficos, ficou clara a postura incômoda de Daniel, que percebeu a estratégia imposta pelo mandatário estadual.

Por estratégia ou por falta de tempo (pela intensa agenda exógena visando 2026), Helder deixou Daniel “correr solto”, ao ponto de promover a sensação de que o governador não tem relação com Ananindeua, fato que fez com que o mandatário estadual “retomasse” sua presença no segundo maior colégio eleitoral paraense e, de quebra, imponha um “freio” no avanço de Santos, que agora utiliza o mandato de sua esposa como pano de fundo para percorrer diversos municípios paraenses.

Nesse jogo de “estica e puxa”, resta saber se ainda há possibilidade de reconciliação entre ambos. Muitos afirmam ser impossível.

Antes que se esqueça, um fato passou despercebido pelos mais desatentos. A primeira-dama de Ananindeua e deputada federal mais gastona em propaganda do Brasil, não deu as “caras” nos eventos. Sabe-se lá o motivo? Ou se sabe?

Imagem: reprodução Internet. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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