Escolhas profissionais: O que temos a ver com isso?

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Quem nunca se perguntou que carreira seguir? Qual o emprego ideal? O que lhe traria mais visibilidade e dinheiro? Quem nunca, ainda cursando a 5ª série do ensino fundamental, ouviu daquela tia distante a pergunta: “O que queres ser quando crescer?”.

Sei que muitos de nós ouvimos esta indagação ainda nos primeiros anos da escola e baseada nisto trago hoje uma fala sobre mercado de trabalho (campo que assumo como um verdadeiro xodó), já que minha habilitação principal é a Psicologia Organizacional, e, portanto, me interesso imensamente pelo modo como as pessoas se comportam “nesse lugar”.

Pois bem, para quem ainda não sabe, o contexto das organizações (que considera o mercado como uma das suas variáveis intervenientes) é um dos campos da Psicologia mais intrigantes atualmente. O tão afamado meio do trabalho, sob o ponto de vista de empresas e empregados tem recebido mais olhares do que jamais recebeu. Os RH (antigo Recursos Humanos) das empresas há muito tempo deixou de ser apenas marcador de ponto, apontador de férias ou captador de registros para pagamento de salários. O mercado passou a reconhecer as pessoas como capital. Assim, mesmo que área pouco habitada, a Psicologia Organizacional se faz crescente a cada dia, ao passo em que os meros recursos humanos passaram a verdadeiros geradores de lucro.

Depois das mudanças tecnológicas pelas quais o mercado passou em decorrência das inúmeras revoluções a partir da industrial (no século XIX), perceber e intervir sobre o comportamento das pessoas dentro das organizações passou a ser medida estratégica para o negócio. O capital humano passa a ocupar o lugar de uma das grandes vantagens competitivas nas empresas que marcam o mundo desde o século XX.

Ora, se as máquinas e demais características físicas/estruturais do trabalho são equivalentes de um concorrente para o outro, que empregador será o melhor sucedido no apertado mundo de interesses mercadológicos? Já que equipamentos e tecnologias ficaram ao alcance de “todos” graças ao advento da globalização, o que passou a alavancar os resultados do negócio?

Muito já se falou (e ainda se fala) sobre as profissões que mais “trazem dinheiro e sucesso”. O mercado já conheceu os “ricos” Advogados da segunda metade do século XX, os “famosinhos” Tecnólogos da Informação da década de 90; os “ricos” engenheiros do início do século XXI, bem como os ainda invejados médicos, do período atual. Muito se ouve falar na carreira de medicina como a mega sena que pode transformar vidas. Pessoas atravessam fronteiras para investir (mais barato) na graduação dos sonhos cuja mensalidade custa em média 7 (sete) salários mínimos no Brasil. Contudo, embora muito se ouça sobre os “porquês” financeiros dessa preferência, pouco se debate sobre a integridade nas escolhas a respeito de uma carreira.

Famílias, amigos (e inimigos também) precisam ser informados de que você tem a melhor e mais viável carreira de todas. As carreiras têm sido produto de uma escolha vazia e baseada exclusivamente na necessidade de alcançar status e dinheiro, o que tem trazido prejuízos em massa, comparando-se com os estragos de uma arma automática que atira em 360º que deixa muitos mortos e feridos. Atinge ao “profissional”, ao cliente do serviço ofertado e talvez entregue aquém da missão; atinge a comunidade de profissionais que fez a escolha pelos motivos corretos; retira valores daquela atuação profissional, minimizando sua importância, subestimando seus efeitos. O serviço entra em colapso para, quem sabe, em alguns anos depois uma nova safra de profissionais e clientes se ocuparem de escrever uma nova página dessa história.

O que temos aqui é uma crise ética de grandes proporções. Não se devem comprometer tantas coisas em função de uma escolha “pessoal” enriquecida de erros. Desfazendo-nos do princípio de que profissões fazem Homens poderíamos nos apropriar de uma vez por todas da verdade de que as profissões somos nós que fazemos (Homens e Mulheres decentes e comprometidos).

E se escolhêssemos o jeito certo de fazer?

Conhecer a si mesmo, as fraquezas (pontos a desenvolver), as vantagens competitivas (competências, forças); compreender e respeitar interesses e afinidades; ter um plano de carreira (estudando as necessidades do mercado sim, por que não?), com objetivos e metas, enfim destinando o tempo de análise necessário e tocando as variáveis que a escolha de uma profissão deve reconhecer são parte de uma etapa fundamental à eleição de uma profissão. São passos que provavelmente atribuirão à carreira escolhida o lugar da autorrealização que o indivíduo tanto almeja. E quando menciono realizar também me atenho ao aspecto material do conteúdo simbólico deste verbo. Para escolhas feitas com a integridade de que falo nesta participação aqui neste papo de amigos, provavelmente, teremos além de concretização de sonhos, também profissionais empenhados em aperfeiçoamento, comprometidos com a excelência; teremos profissionais certamente envolvidos na pintura da “nova cara” de cada uma das profissões de currículo manchado por atuações levianas anteriores.

Assim, a tão esperada realização no trabalho virá provavelmente para aqueles que escolherem efetivar-se profissionalmente naquilo que não lhes seja um fardo pesado demais para carregar. Será provavelmente o melhor advogado, tecnólogo da informação, engenheiro ou médico aquele que o fizer com a qualidade que só a afinidade é capaz de atribuir à prática profissional.

Espero que a provocação de hoje tenha trazido a inquietação que pretendi empreender, principalmente junto aos que ainda estão em busca do encontro com sua carreira. Somar ética mais carreira é algo que tem lugar durante toda a atuação profissional, desde o momento “inocente” da escolha que fazemos, quando estamos recém-saídos do ensino médio, com poucas responsabilidades ou preocupações que talvez resumam o que vestir nas festas natalinas ou com que se tiram cravos e espinhas.

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