A concepção de bom governo

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Ano de disputa eleitoral é notória a grande circulação de
notícias sobre avaliações de governos e gestões, neste caso a nível municipal.
Diversas pesquisas circulam nas cidades, mensurando como é avaliado um determinado
gestor público. Esse processo é um termômetro para os desdobramentos seguintes
da disputa eleitoral que se aproxima. Mas afinal o que seria a verdadeira concepção
de um bom governo?
Para tentar responder, se faz necessária a renúncia de alguns
posicionamentos, posturas e visões sobre os diversos campos políticos,
sobretudo, ideológico. Primeiramente, separar partido político de governo,
exercício muito difícil de fazer, que o diga o PT e o governo da presidenta Dilma
Rousseff. Depois, avaliar o modelo de gestão de governo, nos planos teórico e
prático.
Culturalmente no Brasil a concepção de um bom governo é
aquele que faz obras, constrói infraestrutura, transforma paisagens. Ou seja,
produz ações físicas que possam servir aos interesses da maioria da população
ou a menor parte dela, dependendo do empreendimento que se faz. O estado do
Pará, por exemplo, é rico em recursos naturais, sendo o 4º maior em volume
exportado do Brasil, tendo papel fundamental na balança comercial do país. Na contramão
dessa questão a sociedade e índices sociais preocupantes, entre os piores dos
entes federativos brasileiros.
Essa “cultura” avaliativa de gestão pública cria um círculo
vicioso nos mandatários de nossa política, independente de esfera
governamental. Faz-se obras (uma simples rua asfaltada, por exemplo) no lugar
de implementar ações locais que visem aumentar ou gerar renda, mudar – de fato –
a vida de quem mora no local. Aliais, o que gestores públicos mais gostam de
fazer é asfaltar ruas. Esse tipo de ação é um imã de votos, retorno garantido e
que pode pesar muito em uma disputa eleitoral. No município de Marabá, por
exemplo, o atual prefeito João Salame se elegeu prometendo fazer 500 km de
asfalto na cidade.
No ano de 2010, por exemplo, levantei por diversas vezes o
debate sobre o que é ser um bom governo. Citei os governos tucanos no Pará. Em 2018,
o PSDB terá governado o Estado por 20 anos, duas décadas, 16 anos de forma
sequencial. Ostentam em seu portfólio político grandes obras de infraestrutura
pelo Pará, mais especificamente aos arredores da capital Belém. Mas não citam,
por exemplo, que nessas duas décadas de gestões tucanas os índices sociais do
Pará pioraram. Os governos do PSDB durante essas duas décadas (completada em
2018) foram bons governos?

Se for pela análise de obras, ações físicas, mantendo o
padrão cultural de avaliação de gestão, podem ser considerados por muitos bons
governos. Se a análise levar em consideração a qualidade de vida da população e
índices sociais, foram péssimas gestões, haja vista, que os dados em diversas
áreas regrediram.
O governo Ana Júlia (2007-2010), o único do PT no Palácio
dos Despachos, foi considerado pela maioria da população como um governo ruim. Isso
virou uma marca negativa e que causou estragos políticos ao partido que poderá
ficar muito tempo sem a possibilidade política de eleger um governador. Ana
Júlia conseguiu essa marca justamente porque criou em seu governo um perfil de
provedor do cuidado com as pessoas. Buscou mudar os índices sociais (em alguns
casos até conseguiu) em detrimento a grandes obras de infraestrutura. O slogan
era: “Meu Pará, meu estado, minha terra boa… A grande obra é melhorar a vida
de cada pessoa”. Em outra peça de publicidade, aparecia: “Pará, terra de
direitos”.
A opção por esse perfil de governo custou caro aos petistas
e facilitou o marketing tucano, comandado pelo “mago” da área, Orly Bezerra. Simão
Jatene ganhou fácil nas urnas e logo mudou o perfil, voltando aos projetos faraônicos
ou simplesmente asfalto, o que de fato, pela cultura política brasileira, garante
votos. Não por acaso que o PSDB completará em 2018, duas décadas no Palácio dos
Despachos, mantendo a “concepção” de bom governo, pelo menos para a maioria dos
paraenses. 

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