A latente esquizofrenia política do PT de Parauapebas

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O Partido dos Trabalhadores de Parauapebas atingiu o seu
ápice político em 2004, quando conquistou nas urnas, em disputa
político-eleitoral, a prefeitura de um dos municípios mais ricos do Brasil.
Darci Lermen ainda seria reeleito e governado por mais quatro anos, saindo do
Palácio do Morro dos Ventos em 2012, não fazendo o seu sucessor, mas sendo o
primeiro petista a governar Parauapebas por dois mandatos consecutivos.
O PT então perdeu o comando da prefeitura, mas elegeu quatro
vereadores: Miquinha, Eusébio, Arenes e Eliene. Naquele momento, início dos
trabalhos legislativos da atual legislatura, o referido partido contava com a
maior bancada da Câmara Municipal de Parauapebas. Cenário perfeito para o
fortalecimento da oposição, enquadramento do governo e firmamento do partido no
campo oposicionista, demonstrando que, mesmo perdendo a disputa pelo Executivo
municipal, seria forte na política da “Capital do Minério”.
Não demorou muito para os inflados e críticos discursos dos
parlamentares petistas começassem a mudar ou, pelo menos, tornasse mera
retórica dialética, algo meio protocolar. Em diversas ocasiões, os legisladores
petistas votaram de acordo com os desejos e interesses do Palácio do Morro dos
Ventos. Quem se salva dessa afirmação é Eliene Soares, vereadora que ainda se
mantém fora do controle, da órbita palaciana.
Quis o destino e fatos que o vereador José Arenes (PT) fosse
preso e perdesse o mandato em maio de 2015, por conta da operação “Filisteus” do
Ministério Público do Pará, além de serem encontradas armas e munições sem
autorização em sua residência. Joelma Leite, suplente, assumiu o mandato e
continua até hoje na cadeira. PT então continuava com quatro cadeiras no
parlamento municipal, bancada que representa quase 1/3 do total de cadeiras na
“Casa de Leis”.
Mas os trâmites políticos da “Capital do Minério”
transformaram parte do PT (pelo menos em sua representação parlamentar) em
aliados do governo. Os vereadores Miquinha, Joelma e Eusébio votam
favoravelmente ao governo Valmir, pelo menos, as sessões parlamentares apontam
isso em breve pesquisa. Como disse apenas a vereadora Eliene se mantém firme em
sua postura crítica ao Palácio do Morro dos Ventos, mas tornou-se uma voz
perdida em meio ao batalhão defensivo montado na “Casa de Leis” e que permite
atualmente o prefeito Valmir Mariano “navegar” em águas calmas, rumo à disputa
eleitoral que se aproxima.
Por esses meandros políticos do PT parauapebense é que o
ex-prefeito Darci Lermen ficou sem saída, em uma encruzilhada, escorado no
corner. Não, por acaso que decidiu sair do referido partido. Faz sentido essa
estratégia política do ex-prefeito. Como se manter oposição, uma alternativa de
governo, de gestão, com parte do partido apoiando o atual prefeito? Darci no PT
seria facilmente “tratorado” pelos seus adversários na campanha, especialmente
por Valmir.
Conforme escrevi em meu blog na semana passada, Darci Lermen
sabe fazer política e tem voto. Sua indefinição em relação a qual legenda irá
ingressar, é mais uma tática política. Dessa forma, ele dita o ritmo dos
bastidores, haja vista, que a sua opção poderá alterar o tabuleiro político da
“Capital do Minério”. Iremos entrar no mês de março e o ex-prefeito ainda tem
tempo para escolher o seu futuro. Irá retardar ao máximo o anúncio, pois
“valoriza o passe” e pode impor condições aos grupos políticos e partidos que o
querem.

Certo mesmo é que o PT de Parauapebas vive um intenso e
perigoso processo de esquizofrenia. Parece que muitos integrantes do partido
não conseguem ficar fora do poder. Os oito anos no Palácio do Morro dos Ventos os
tornaram reféns da “Mosca azul”. Aguardemos fortes emoções que estão sendo
preparadas pelos bastidores do processo político. Estamos só no começo da
disputa.

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