A retórica da operação “Filisteus” é um pedido de socorro

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Uma semana antes, o grupo Correio, afiliada ao SBT, promoveu chamadas para divulgar matéria em que o procurador de Justiça Nelson Medrado concedeu entrevista ao programa “Fala Cidade”. Medrado afirma que existe em Parauapebas um núcleo poderoso que já pode ter desviado em recurso público um montante que já chegou seguramente a um bilhão de reais. Os desvios se concentram na prefeitura de Parauapebas e se estende à Câmara de Vereadores em nível bem menor. A matéria foi ao ar no último dia 19 e foi reproduzida e comentada no varejo por diversos veículos de comunicação. Este blog o faz com atraso justamente por conta da concentração de abordagens na crise política e os desdobramentos do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Em maio, a operação “Filisteus” completará um ano de duração. No referido mês no ano de 2015, como bem disse Luiz Vieira em seu blog, um verdadeiro terremoto atingiu a “Capital do Minério”. Diversas residências foram “visitadas” pelo Gaeco, até a casa do prefeito foi revirada em busca de documentos e provas que pudessem sustentar as investigações e manter as denúncias. No balanço da operação, diversas camionetes deixaram a cidade com gigantesco volume de material apreendido. A expectativa era grande para que o esquema fosse desmontado e transforma-se a política de Parauapebas. Os meses foram passando e nenhuma notícia era vinculada aos desdobramentos investigatórios. A Justiça logo decretou segredo, o que torna o processo sem divulgação. Em novembro de 2015, depois de três meses de silêncio sobre o processo, o blog, em seus ofícios de refletir e provocar, perguntou: “A operação Filisteus, acabou?”

Em janeiro do ano corrente, voltei a abordar aqui os desdobramentos, texto que intitulei como “Operação Filisteus, versão 2016” em que havia grande expectativa de mudanças no tabuleiro político de Parauapebas, especialmente na representação legislativa. Cogitava-se nos bastidores que o Gaeco levaria, pelo menos, mais três vereadores à Belém, os fazendo perder seus mandatos, como ocorreu com os anteriores. Neste mesmo texto, afirmava que as movimentações estavam resumidas ao poder legislativo, sem qualquer interferência no Palácio do Morro dos Ventos, sede da prefeitura de Parauapebas.

Agora, a novidade diz respeito ao vídeo com a entrevista do procurador Nelson Medrado. Antes de assistir, recebi o áudio da entrevista. Ao analisar o conteúdo, fica claro, com bem colocou Luiz Vieira em seu blog, o pedido de socorro do referido em sua exposição dialética do processo. Sem rodeios, Medrado deixa claro que tudo que estava sob a sua responsabilidade foi feito. Intenso trabalho do Ministério Público e Tribunal de Contas dos Municípios, mas de forma surpreendente, a Justiça continua a manter o processo sob segredo, sigilo total, inviabilizando ações ou novos desdobramentos.

Ainda em novembro de 2015, no post citado aqui, chamava a atenção para possíveis manobras em Belém para salvar pessoas ou grupos políticos. Sabemos que esses tipos de ações são reais e acontecem. Ainda mais quando está em jogo uma prefeitura bilionária. Não cabe outra posição a não ser a opinião pública e a sociedade civil parauapebense se movimentar e cobrar definições em relação às investigações. Ou a impunidade irá mais uma vez prevalecer? Ou só os “peixes” pequenos serão punidos? E os chefes do tabuleiro, que de fato, mexem as peças, serão alcançados?

Não se pode deixar de citar que o grupo de comunicação Correio, que controla jornais, rádios e canal de TV é da família Chamon. Portanto, em ano eleitoral, tudo pode acontecer e movimentos são realizados no tempo certo. Parauapebas é uma mina de ouro que desperta os mais variados interesses. Por isso em ano eleitoral, tudo é usado para derrubar inimigos e se manter vivo na disputa pelo poder.

Muitos ainda têm a esperança que a operação “Filisteus” possa mudar os rumos da política da “Capital do Minério”, por isso ainda aguardam novidades. Independente de avanços, conforme disse Medrado, um bilhão de reais podem ter sido desviados dos cofres públicos da cidade nos últimos anos. Recurso que – levando em consideração a atual realidade econômica da cidade – corresponde a quase um ano de orçamento. Como sempre digo em sala de aula: “Se o Brasil foi explorado em dobro, Parauapebas é triplo”. Pobre cidade rica.

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