A tragédia em Mariana e o alerta para a região de Carajás

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O Brasil acompanha desde a última quinta-feira (05) a
tragédia ocorrida no município mineiro de Mariana, localizado a 124 km da
capital Belo Horizonte, quando rompeu duas barragens da mineradora Samarco,
controlada pelas gigantes do seguimento mineral: Vale e BHP Billiton
(Australiana). A partir desse fato o país acompanha diariamente os estragos e
as primeiras consequências desse desastre econômico, social e ambiental de
grande amplitude, sem ainda um diagnóstico em relação aos impactos futuros.
Segundo a mineradora Samarco, as barragens que se romperam
eram de rejeitos do processo de produção mineral. Nesses espaços eram
depositados restos de rochas e areia, juntamente com água, portanto, sem composição
tóxica. O primeiro embate ocorreu justamente nesse ponto. De um lado o discurso
para amenizar os impactos e de outro, a denúncia dos riscos que o contato com
essa lama poderá causar a saúde humana.
Resolvi abordar a questão ocorrida em Mariana para chamar
atenção no que se refere às atividades econômicas, de cunho mineral que são
desenvolvidas na região de Carajás, local onde a Vale assim como em Minas
Gerais, mantém um dos maiores projetos minerais do mundo. O ocorrido em solo
mineiro poderia ocorrer aqui? Qual a possibilidade? Quais as medidas de
segurança foram tomadas para que isso não aconteça? Caso ocorra um acidente em
uma das barragens do complexo Grande Carajás, os planos de emergência e
gerenciamento de crise estão planejados?
O intuito deste artigo não é, obviamente, criar especulações
ou terrorismo em relação aos empreendimentos minerais. Mas o ocorrido serve
para alertar as autoridades locais para a construção, manutenção e planos de
segurança nesse tipo de atividade. No caso da região de Carajás, a mineradora
Vale mantém duas barragens: APA (Área de Proteção Ambiental) do “Gelado” que
recebe e armazena os efluentes líquidos (água da chuva, lavagem dos maquinários
ou qualquer água bruta). Segundo a Vale, no caso da represa do Gelado, a água
despejada no reservatório é tratada com componentes químicos, sendo o principal
o sulfeto de alumínio, usado para equilibrar o PH da água, em seguida, o
recurso “tratado” é despejado no rio Gelado.
O Projeto Salobo, área territorial do município de Marabá,
que explora principalmente Cobre, possui grande barragem (bem maior que a do
Gelado) e está localizada a 120 km em linha reta do município de Parauapebas.
Por imagem de satélite pode-se ter noção exata das dimensões do lago de rejeito
e do tamanho da barragem. No caso do Salobo, o barramento seria para o
armazenamento de produtos químicos que são usados no processo industrial do
Cobre, o que potencializa os danos e aumentam os riscos.
Segundo informações que levantei com fontes que trabalham na
área ambiental de Parauapebas e que conhecem bem essas construções, me
afirmaram que, apesar do projeto Salobo está em território marabaense, o plano
de contingencia e prevenção de acidentes, estaria sob responsabilidade da
Prefeitura de Parauapebas, Defesa Civil, Bombeiros da “Capital do Minério”, por
uma questão de logística de acesso ao referido projeto. Além do Salobo, há a
barragem do Sossego em Canaã dos Carajás, bem próximo da nascente do rio
Parauapebas. Um acidente naquela região poderia causar danos ambientais incalculáveis
no maior recurso hídrico da cidade de Parauapebas.
Que a tragédia ocorrida em Mariana sirva de lição e que as
nossas autoridades estejam atentas para as responsabilidade, fiscalização e
cumprimentos de normas de segurança nas construções de barragens ou qualquer
outro tipo projeto, visando a segurança de comunidades e preservando ao máximo
o meio ambiente. 

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