Belém ainda pode ser a capital do Pará?

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Em 2013, Parauapebas tinha o segundo maior PIB do Pará, que
correspondia a 80% do produto Interno bruto de Belém, ainda em primeiro lugar,
mas cinco vezes superior o de Ananindeua, na terceira colocação. Já o PIB per
capita (que mede a distribuição da riqueza pela população) de Parauapebas era
quase sete vezes superior o da capital. Parauapebas tem 190 mil habitantes,
Ananindeua 505 mil e Belém 1,5 milhão.
Apesar desses números, que indicam um potencial crescimento
(e de resultados concretos já alcançados) Belém não acompanha o que acontece em
Parauapebas, como ignora a vida em Canaã dos Carajás, detentora do maior PIB
per capita e caminha para o maior PIB, com seus 33 mil habitantes. É um grande
erro, que custará cada vez mais caro à cidade com responsabilidade de ser a
capital de um Estado com 1,2 milhões de quilômetros quadrados, do tamanho da
Colômbia.
Um exemplo dá a medida da importância de acompanhar a dinâmica
do sul do Pará, que reivindica a sua autonomia, e o tamanho do descaso do poder
central paraense. Há oito anos a prefeitura de Parauapebas iniciou a construção
de um hospital municipal para 236 leitos, 12 dos quais para atender casos de
alta complexidade. Deve ser o maior investimento hospitalar do interior do
Pará. A obra deveria estar pronta em um ano. Já se passaram oito e a construção
ainda não foi totalmente concluída. Faltariam ainda 10%. Seu custo aumentou
cinco vezes. Agora está em 50 milhões de reais.
Talvez esse encarecimento se explique pela circunstância
adversa de que o projeto original foi alterado nove vezes, por essas inconsistências,
algumas inacreditáveis. O elevador, só para citar um só desses casos, não
comporta macas. Essas falhas podem ter outra motivação, conforme os brasileiros
já estão cansados de saber. Buscá-la é tarefa tão prioritária quanto qualquer
obra em Belém.
O problema é que Parauapebas fica longe quase 700 quilômetros
e a capital não consegue chegar até lá. Nem quando se aproxima nova eleição
municipal e Parauapebas é uma das raras coroas do Estado. Os piratas de votos
devem estar de olho nela. A necessidade de um planejamento sério e de atitude
mais atualizada por parte do poder público, nesta região é urgente. De 2013
para cá, Parauapebas encolheu por conta da queda do seu principal produto, o
minério de ferro, extraído de Carajás e exportado pela Vale. Mudar essa
conjuntura desfavorável está muito além da capacidade do município.
Assustada pela queda da receita, a principal dos quais é a
compensação financeira mineral. Parauapebas tenta diversificar a sua base
econômica investindo mais na agricultura. Demorou a tomar essa iniciativa. Com
atraso, porém, é esse o caminho que deve tomar. O período de “Vacas magras”
deverá ser prolongado.
Essa atitude está mais tempo para Canaã dos Carajás, que
produz bens minerais de maior valor, como o níquel e o cobre, do que o ferro,
que depende do volume de produção para poder compensar a queda de preço. Canaã
deverá ser líder em PIB e PIB per capita. Proporcionalmente, também em
investimento. Mas está se preparando para não ficar dependente da monocultura
mineral?
Para ser a legítima capital do Pará, que quer se fracionar,
Belém precisa chegar até os centros vitais do futuro do Estado. Ou renuncia a
ser a capital.

Fonte: O estadonet.com (coluna de Lúcio Flávio Pinto)

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