Belém, cada vez mais distante do resto do Pará*

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Não é novidade ou causar surpresas, as diferenças regionais
no grande território de mais de 1,2 milhão de km² divididos em 144 municípios
que compõe o estado chamado Pará, o segundo maior do Brasil, só perdendo para o
vizinho, Amazonas. A grande dimensão territorial de nosso estado já foi centro
de debates calorosos de especialistas em teorias de desenvolvimento regional e
mentes que defendem o separatismo, criando outros estados dentro do Pará ou um
novo arranjo institucional de ação sob o território paraense.
O clímax desta disputa dialética e teórica aconteceu em 2011, quando,
pela primeira vez, um plebiscito ocorreu para que a população do Estado inteiro
(na época em 7,5 milhões) decidisse o que aconteceria no território paraense.
As regiões oeste, sul e sudeste do Pará, buscavam se desmembrar, criar novos
entes federativos, materializados nas propostas federativas chamadas: Carajás e
Tapajós.
O NÃO venceu e o Pará continuou do jeito que estava. Na
época o recém eleito governador Simão Jatene (PSDB) que estava retornando pela
segunda vez ao Palácio dos Despachos, após a definição da decisão popular que,
aproveitando a concentração populacional na RMB (Região Metropolitana de
Belém), manteve as dimensões territoriais, prometeu investir fortemente nas
regiões mais afastadas da capital Belém. O mandato terminou e nada do que foi
prometido pelo chefe do executivo paraense foi colocado em prática.
No último embate eleitoral, quando Simão Jatene disputou a
sua reeleição contra Helder Barbalho (PMDB), o governador tucano retornou com
as promessas de desenvolvimento regional. Desta vez, teorizou a criação de
centros integrados de governo. Um em Marabá e outro em Santarém. A promessa era
descentralizar a máquina pública estadual. 
Estamos chegando ao sétimo mês de
governo e até o momento nenhuma ação para a referida promessa de campanha
acontecesse, torna-se algo prático. Não se percebem sequer, debates sobre os
arranjos institucionais desses novos órgãos e suas ações efetivas.
A promessa, via discurso, de desenvolvimento regional no
território paraense não é novo. Foi feito pelo governo da petista Ana Júlia (2007-2010)
com apenas a mudança de nomenclatura. Os petistas chamavam essa ação de
“sub-governadorias” que seriam assentadas nos mesmos locais pensado pelos
tucanos. Da mesma forma a promessa não se concretizou. Pelo contrário, na
distribuição orçamentária (ações de investimento do Estado), houveram reduções
em todas as regiões paraense, com exceção da área que compreende a capital
Belém. Ou seja, está institucionalmente aprofundando as diferenças regionais.
Nos próximos meses chegaremos a ¼ do governo tucano, o
terceiro sob comando do economista Jatene e o desenvolvimento regional continua
sendo uma retórica política, discurso eleitoral que se renova a cada quatro
anos, mas sem efetivamente ações que consigam descentralizar a máquina pública
que se enraizou nos limites da RMB e que de lá governam todas as regiões do
Estado. Pelo visto, Belém está a cada dia mais distante do resto do Pará. Até
quando?

* Artigo originalmente publicado em minha coluna semanal no jornal Hoje
de Parauapebas.

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