Brasil: a república do pato

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O pato, no sentido amplo (lato sensu), é uma ave que
pertence à família Anatidae. Em um sentido menos amplo, mas não Stricto sensu,
é uma classe de tamanho definindo aves geralmente menores que os anserídeos
(gansos e cisnes) e podem ser encontradas tanto em água doce como salgada. Os
patos alimentam-se de vegetação aquática, moluscos e pequenos invertebrados e
algumas espécies são aves migradoras.
Podem-se identificar os machos principalmente pela coloração
diferente mais vistosa (visto que a grande maioria das espécies de patos tem
dimorfismo sexual), e também por diferenças comportamentais. Algumas espécies
de patos (quer selvagens, quer domesticadas ou criadas em cativeiro) são
utilizadas pelo homem na alimentação, vestuário (as penas) e para
entretenimento (caça). O pato é um dos poucos animais da natureza que anda,
nada e voa com razoável competência. É o único animal que consegue dormir com
metade do cérebro e manter a outra em alerta. É dotado de perfeito senso de
direção e comunidade.
Desta forma, com essas características apresentadas, o
Brasil nos últimos meses tornou-se a “república do pato”. O termo pode ser
utilizado em vários sentidos, dependendo da interpretação. Pelo senso comum, a
palavra “pato” está pejorativamente ligada a um individuo que apresenta
dificuldades de alguma ordem e por isso sempre perde ou não consegue seus
objetivos. A analogia começou quando a Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo), um dos maiores grupos econômicos e que exerce forte
influência política em Brasília, lançou um pato inflável com o slogan: “Não
vamos pagar o pato”, fazendo referência à crise econômica vivida pelo Brasil
contra a política de aumento de impostos que o governo Dilma Rousseff anunciava
naquele momento.
Rapidamente o “pato” tornou-se uma figura do processo das
crises políticas e econômicas, inclusive sendo personagem protagonista nas
manifestações pelo Brasil pedindo o impeachment de Dilma, o que viria a se
concretizar meses depois. O governo Temer assumiu provisoriamente e logo
implantou diversas mudanças. A política econômica e social sofreram alterações significativas.
Nas novas propostas, em todas, os trabalhadores, as classes menos favorecidas,
começam a sofrer severas restrições ou a perda de direitos e conquistas dos
últimos anos.
Os programas sociais estão gradativamente sendo desmontados,
desarticulados, sofrendo intervenções que tornam inviáveis suas manutenções. Tudo
isso em nome do controle dos gastos públicos e manter a política de austeridade
fiscal. Muitas dessas pessoas que estão situadas na parte mais baixa da “pirâmide
social” apoiaram o impeachment, a derrubada de Dilma e ascensão ao poder do
atual grupo político, liderados por Michel Temer, agora pagam literalmente o “pato”. 
Os direitos trabalhistas estão em xeque, jistamente por pressão dos setores empresariais que foram apoiados por milhões de trabalhadores brasileiros. Esquisofrenia? O pato inflável, de borracha, tornou-se para milhões um pato real, de verdade,
fazendo jus à analogia da aplicabilidade da palavra fora do contexto animal.

Com a democracia não se brinca, o preço é alto. Não foi por
falta de aviso que a troca de governo sem base legal, poderia custar caro,
especialmente aos mais pobres que voltarão a serem desassistidos pelo governo,
como sempre ocorreu antes de 2003. Infelizmente o Brasil tornou-se a “república
do pato” que sou eu e você. Viva a democracia!

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